Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/10/2019
“O homem está condenado a ser livre, pois, uma vez laçando ao mundo, ele é responsável por tudo o que faz”. essa máxima de Sartre mostra a responsabilidade humana em relação às suas atitudes. No entanto, não ter atitude em determinados casos também é tê-la. Pode-se perceber essa realidade diante da inércia dos governantes e das instituições de ensino.
Em primeiro plano, é preciso perceber que, historicamente, os governos brasileiros têm dificuldade - ou pouco interesse - em lidar com as pessoas à margem da sociedade. seja por desemprego ou problemas familiares esse segmento acabam nas ruas expostas a violência e preconceitos. Isso ocorre porque construir políticas públicas e fazer investimentos nessas áreas e pessoas não terá alto impacto eleitoral, além de serem projetos de longo prazo, o que não combina com os atuais direcionamentos governamentais.
Concomitante a essa dimensão política, quando o renomado filósofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a consciência solidária serem desenvolvidos no ensino básico. No entanto, a educação brasileira não introduz ações pedagógicas que reflitam sobre o as razões que fazem essas pessoas estarem nas ruas. Preconceitos, discriminações e discursos de ódio difundem-se, assim, sem encontrar a necessária orientação crítica no processo ensino-aprendizagem.
Destarte, para que as pessoas com carência de lar consigam moradia , é preciso que o Poder Legislativo crie políticas públicas de auxílio às pessoas que vivem à margem e mantenha seus programas de renda mínima, tudo isso com a pressão popular. No entanto, para sanar a raiz do problema, é necessário que as escolas modifiquem seus currículos e insiram disciplinas que dialoguem com a formação moral, como filosofia e sociologia, para que mudemos nossa visão de mundo. Talvez assim, tornemo-nos responsáveis, como disse Sartre.