Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/10/2019

A invisibilidade

O legado do Séculos das Luzes é que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a grande quantidade de pessoas em situação de rua no Brasil, percebe-se que esse ideal iluminista é verificado apenas na teoria. Muitos passos já foram dados na tentativa de reverter esse quadro, exemplo disso é o programa criado em 2009, com o objetivo de melhorar a assistência social para esse grupo. Entretanto, para que seja conquistada, de fato, o direito à moradia, deve-se analisar as verdadeiras causas desse problema.

Em primeiro lugar, pode-se afirmar que a questão é histórica. Durante o período do Brasil colonial, o acesso à terra era dado através da compra, como consequência disso, o país foi dividido para grupos com alto poder aquisitivo, o que gerou uma grande concentração de terra. Atualmente, de acordo com o G1, existe no território brasileiro, mais de 100 mil pessoas morando na rua e 6 milhões de imóveis desocupados. Tal dado comprova a ineficácia de políticas públicas que incluem propriedades coletivas, moradias subsidiadas e auxílio-aluguel como medidas necessárias para acabar com o déficit habitacional.

Por outro lado, destaca-se a alienação da população frente a essa questão como impulsionadora dos efeitos da exclusão social. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que a questão dos moradores de rua tenha se tornado cotidiana e há uma tendência à naturalização do fenômeno, em consequência a sociedade não os enxerga mais na própria condição de ser humano. Assim, o fortalecimento desse tipo de pensamento é transmitido de pessoa a pessoa e agrava ainda mais o problema no Brasil.

Entende-se, portanto, que a situação dos moradores de rua no país vem se agravando e marca um intenso fato social. Para atenuar o problema, é preciso que o Governo Federal coloque a Constituição Cidadã em prática, para isso é necessário fazer uma reforma urbana, por meio de desapropriações de imóveis sem fins sociais. Além disso, o Estado em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, deve criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade e crie novas oportunidades de trabalho.