Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 28/10/2019

Na Grécia antiga, ocorria um processo separatório entre cidadãos e não cidadãos, com esse segundo grupo sendo deixado de lado nas decisões políticas. Atualmente, percebe-se uma situação análoga com os moradores de rua no Brasil, uma vez que, em vista da sua situação social, são marginalizados pela sociedade. Nesse sentido, essa segregação é evidenciada pelos altos índices de violência e nas condições sub-humanas às quais essa parcela da população tem de conviver.

A priori, a taxa de violência contra as pessoas em situação de rua reflete a falta de apreço do povo brasileiro com os necessitados. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2015 a 2017 o Brasil teve registrado 17 mil casos de agressão (física/verbal) direcionada a esses indivíduos. Diante disso, é notória a ausência de sensibilidade da maior parte da sociedade com os sem-tetos, visto que  essa parcela da população se encontra, majoritariamente, nessa caótica situação por extrema necessidade e o público, no geral, não a respeita.

Ademais, esse processo segregatório impõe condições sub-humanas para essas pessoas viverem. Em 2018, o edifício abandonado Wilton Paes de Almeida (São Paulo), que abrigava vários sem-tetos, pegou fogo e desabou, levando vários desses indivíduos a morte. Nota-se, então, o inexistente amparo a essa gente, pois com a falta de um local mais digno que a rua para se viver, elas optam por ficar em um lugar tão precário quanto e, sobretudo, sujeito a uma tragédia - como a que infelizmente ocorreu -, apenas para ter o que seria mais próximo de uma casa própria.

Diante do exposto, faz-se necessária a intervenção estadual para promover uma melhor qualidade de vida a essa população. Com esse fim, urge aos governos estaduais, em parcerias com Organizações Não Governamentais (ONG’s), realocar essas pessoas para Conjuntos Habitacionais, que seriam construídos em terrenos cedidos pela unidade federativa e administrados pelas ONG’s, oferecendo comida, roupas e cama. Somente assim, esses indivíduos poderão ser respeitados.