Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 11/03/2020
Segundo o químico Schrodinger, “orbital é a região de máxima probabilidade de encontrar o elétron”. Em poucas palavras, é a casa dessa partícula e cada uma tem a sua. No entanto nas ruas brasileiras é diferente dos níveis atômicos, por conta das inúmeras pessoas que vivem nelas e que há máxima chance de ocorrer no país todo tal situação. Nesse contexto, deve-se entender as causas dessa problemática social.
Em algumas épocas do ano, muitos indivíduos se deslocam para outros estados em busca de trabalho e salário, fenômeno conhecido como migração sazonal. Isso acontece porque muita das vezes não há oferta de emprego suficiente em sua cidade de origem. Diante disso, eles aceitam as propostas empregatícias e usam o pagamento recebido para sustento de suas famílias, que na maioria das vezes permanecem nas cidades natais. Acontece que em cidades como São Paulo, o custo de vida é caro, o que dificulta a vivência nela com a garantia dos direitos sociais, uma vez que o dinheiro é repartido entre o trabalhador e parentes. Logo, enxerga-se as ruas como solução e economia de gastos , afinal marquises e calçadas não cobram aluguel e podem ser usadas como um “lugar para dormir”.
De acordo com Sigmound Freud, “é impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem um mecanismo de fuga”. Nesse prisma, fala-se de mulheres que fogem de suas casas. Isso porque, geralmente, eram vítimas de violência doméstica de seus companheiros e temendo o feminicídio, encontraram abrigo e proteção nas ruas. É válido falar de fatores que intensificam essa opção de escolha como a dependência financeira e a falta de rede de apoio familiar, ou seja, elas se vêem sem saída. Como consequência desse cenário, há mulheres que acham na prostituição fonte de renda; estão mais expostas ao uso de álcool e outras drogas, já que contém alta carga emocional e facilidade ao acesso. Embora as vias sejam acolhedoras, trazem consigo novos problemas.
Infere-se, portanto, a necessidade de encontrar meios de retificar essa questão. É imperiosa a ação conjunta de empreiteiras e órgãos de construção civil, por meio de incentivos fiscais, na criação de alojamentos temporários para esses trabalhadores sazonais, visando tirá-los das ruas. Além disso, duas atitudes são imprescindíveis, sendo a primeira que os deputados criassem um projeto de lei, por meio de votação na Câmara, que cria um auxílio aluguel às vítimas de violência doméstica, com a intenção de também tirá-las dessa condição de moradia e a segunda com a atividade de ONG’s ofertando cursos profissionalizantes conferindo oportunidade de emprego e independência financeira longe da prostituição. Cria-se, assim, um meio das vias, calçadas e outros serem lugares de tráfego de pessoas e não opção de moradia.