Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 10/03/2020

A Lei Áurea, promulgada em 1888, aboliu a escravidão lançando às ruas o grande contingente de escravos, antes mão de obra da nobreza, agora marginalizados, marcando assim, o início da evolução do processo social da população em situação de rua. Tendo se passado mais de um século, vemos que os números, tratando-se da população moradora de rua, cresce exponencialmente a cada ano, e com ela, o descaso à esses cidadãos.

Segundo fontes do portal G1, dois moradores de rua foram assassinados, alvejados a tiros, no Leblon, sob o viaduto Humberto de Campos, na Zona sul do Rio de Janeiro. Situação em que nada difere da execução de Fernanda Rodrigues, em Copacabana, três anos antes, por um estudante de medicina e um lutador de MMA. Ambos bairros prestigiados da região mais rica da capital, onde costuma-se encontrar os imóveis mais caros da cidade.

Polícia Civil analisa vídeo onde morador de rua morre após ser deixado em calçada de centro de atendimento médico por ter triagem negligenciada pela enfermeira, indiciada por homicídio qualificado pela omissão de atendimento. Segundo Jornal EXTRA, em sua defesa, alega que Deodoro Barbosa apresentava hálito etílico, aparentava estar sob efeito de entorpecentes e ‘sujilidade’. Esse exemplo da nossa realidade, apenas demonstra como são tratados pacientes desprovidos e como o preconceito e a barbárie estão alojadas nas entranhas de nossa sociedade.

Nesse prisma, à exemplo da Comissão especial da população em situação de rua, do Rio de Janeiro, deve-se elaborar, bem como aplicar, medidas que visem a segurança de moradores de rua, como construção de abrigos e programas de reinserção no mercado de trabalho. Conjuntamente, a Secretaria de Saúde deve planejar triagens para atendimento médico, principalmente psiquiátrico e o treinamento adequado dos  profissionais da área, para que saibam realizar os cuidados necessários, evitando que a situação em que vivemos permaneça por mais um século.