Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 14/03/2020

Urbe - uma casa sem família

Conforme o caput do artigo quinto da Constituição Federal, está declarado que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade […]”, logo é incabível que ainda haja indivíduos em situação de rua mais de três décadas após a legitimação do regimento, porquanto a cidadania é para todos.

Para compreender as razões pelas quais o número dessa estatística cresce cada vez mais, é necessário apurar os aspectos em comum dessas pessoas, uma vez que há indivíduos com os mais diversos precedentes. Situações de dependência química e conflito ou abandono familiares são fatores regulares, de acordo com o documentário “Eu existo” produzido pelo centro acadêmico XI de Agosto, o qual mostra de perto a vida, o pensamento dessas pessoas e as causas pelas quais perderam a moradia e, muitas vezes, o significado de família.

No entanto, há uma outra vertente atuante no aumento dessa população que questiona não só o posicionamento do governo, mas também do restante da sociedade ante a essa problemática, visto que se trata de uma classe marginalizada. No longa-metragem “As vantagens de ser invisível” de Stephen Chbosky, é possível observar pela personagem Charlie como as emoções e questões internas humanas perdem a intensidade quando se permite que outros julguem sua importância e como a vítima não entende que é vital ser enxergada após um longo período habituada a ser ignorada. Pode-se perceber essa atitude nas limitações e contínuos cortes de recursos públicos para atenderem a grande demanda dos centros urbanos, bem como a falta de levantamento dessa questão, que apontam para a negligência, contribuindo ainda mais para a permanência dessas pessoas nas ruas e para o aumento dos consequentes vícios e doenças físicas e mentais, muitas vezes fatais.

É necessário que haja uma urgente iniciativa do ministério da cidadania voltada ao incentivo financeiro  de instituições para que possam abranger os tratamentos sobre as causas gerais dessa questão e à construção de novas estruturas a fim de ampliar vagas, assim como é significativo que as ONGs operantes trabalhem em campanhas que encorajam apoio da população por meio de trabalho voluntário, aumentando a visibilidade da pauta e combatendo esse mal. O olhar de humano é primordial nesse processo para resgatar sonhos e dar suporte à vida.