Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/05/2020

Ser porta-voz de quem não tem vez”. Em 2015 no Brasil foram criadas páginas em redes sociais como o Facebook que, com sensibilidade e empatia, deram nomes e sobrenomes ao “problema”: Pessoas em situação de rua. BH Oculta, SP Invisível e POA Invisível são algumas das fanpages que ajudam a dar voz a uma população que no cotidiano é -como os títulos revelam- invisíveis a grande parte da sociedade.

Primeiramente, retratar a realidade das condições precárias advindas da falta de moradia no Brasil, no entanto, nem sempre foi aceito e acolhido como hoje é. Haja visto que, em 1997, o livro Capitães de Areia, do escritor Jorge Amado, foi censurado e queimado em Salvador (BA). Neste contexto, exibir a realidade de mais de cem crianças que tinham como casa um trapiche –como fez o livro- foi gravíssimo, pois escancarou problemas sociais que ultrapassam décadas sem que soluções eficazes sejam elaboradas com seriedade.

Em segunda análise, é de suma importância que se tenha em mente que esta questão social é complexa, pois quando se trata de indivíduos, o histórico de vida de cada um precisa ser analisado e pesar na hora das tomadas de decisão. No entanto, avaliando o todo, questões como crises econômicas, desempregos, migrações e conflitos familiares são os motivos principais que levam as pessoas a este ‘não lugar’, como diria o antropólogo, Marc Augé. Logo se vê também, quando o assunto é a realidade dos moradores de rua no Brasil, que a invisibilidade está, além de tudo, nos dados que os referenciam. Atualmente, a estimativa é de que mais de 100 mil pessoas fazem parte desse grupo, de acordo com o Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) e, embora a pesquisa seja de 2015, este é –ironicamente- o dado mais atual acerca do tema.

Diante disso, a questão dos moradores de rua no Brasil precisa ser urgentemente pauta para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos com o objetivo de que essas pessoas tenham acesso a moradia, alimentação e saúde. Direitos básicos que precisam ser assegurados pelo Estado. Para isso, o Ministério precisa ampliar a inserção desse grupo na engrenagem capitalista produtiva por meio de programas sociais já existentes como o Bolsa Família, por exemplo, e implementar o cadastro único dos benefícios. Outra opção é ampliar as redes de Albergues públicos que oferecem um teto e um CEP para que entrar no mercado de trabalho não seja algo tão distante.