Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 15/09/2020
Debate-se com frequência acerca dos moradores de rua no Brasil, haja vista que com a evolução da sociedade capitalista, o aumento da estratificação social e da desigualdade social ocorreu a exclusão de muitas pessoas que acabaram se tornando desabrigados. Esse grupo social vulnerável, tem ocupado cada vez mais espaço nas ruas das cidades. Isso ocorre, principalmente, devido ao baixo número de assistência social destinado a essas pessoas. Além disso, a falta de políticas púbicas que visem reinseri-los no mercado de trabalho também contribui para essa problemática. Por isso, o poder público deve tomar medidas para mitigar essa situação.
Em primeiro lugar, a população em situação de rua muitas vezes luta por uma vida melhor, para vencer vícios e ser tratado com dignidade. No entanto, a falta de oportunidade e de assistência direcionada a eles dificulta a ascensão social e pessoal dessas pessoas. Devido a isso, é notório um aumento de moradores de ruas nas cidades brasileiras, uma vez que a maioria fica estagnada nessa situação por muitos anos, por não ter o acompanhamento necessário para sair dela. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizada em 2016, aproximadamente 101 mil pessoas vivem nas ruas em todo o Brasil.
Outrossim, a ausência de políticas públicas que visam reinserir a população de rua no mercado de trabalho contribui para o aumento de desabrigados. Assim, muitos ao não serem direcionados a buscar empregos e construir uma vida financeiramente estável, ficam dependentes da assistência oferecida e se acomodam, tonando-se suscetíveis a recaídas e a retornar as ruas. Ademais, o acesso a oportunidade de emprego pode proporcionar a melhora na qualidade de vida de muitos desabrigados. Esse fato é retratado no filme “A procura da felicidade”, no qual o protagonista, interpretado por Will Smith, ao conseguir um emprego remunerado consegue sair das ruas e mudar de vida.
Assim sendo, é imprescindível que o poder público atue por meio do Ministério da cidadania e da Secretaria Nacional de Assistência social (SNAS) para reduzir o número de moradores de rua e inseri-los no mercado de trabalho. Isso deve ocorrer por meio da fiscalização dos programas assistenciais que já existem, para garantir sua eficácia e pela criação de mais redes de acolhimentos nas cidades, com a finalidade de aumentar o alcance da assistência destinada a essas pessoas e auxilia-las em sua jornada na busca de uma vida mais digna. Somado a isso, o SNAS deve desenvolver políticas públicas voltadas exclusivamente para reinserção da população de rua no mercado de trabalho. Para isso, é necessário a disponibilização de cursos técnicos e supletivos, a fim de aumentar o grau de qualificação desses indivíduos e garantir uma oportunidade de uma vida mais estável e independente.