Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 19/06/2020
O livro Capitães da Areia, do autor Jorge Amado, conta a história de um grupo de menores abandonados que crescem e se encontram em situação de rua, na cidade de Salvador, Bahia, os quais necessitam sobreviver à qualquer custo. Essa situação é paralela à sociedade contemporânea, visto que há muitas pessoas indigentes no Brasil que sobrevivem da ajuda de programas solidários e provém de alguns fatores, como a conjuntura ilusória de migrantes de outros estados e o uso de drogas lícitas e ilícitas.
Em primeira análise, conforme um estudo realizado pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, 71% da população sem residência e que estão vivendo nas ruas paulistanas é composta por migrantes vindos do interior de São Paulo ou de outros estados. Assim, é fato que muitos indivíduos, de classes baixas e moradores de municípios com poucas oportunidades de desenvolvimento financeiro e pessoal, deslocam-se para cidades mais industrializadas, e consequentemente desenvolvidas, em busca de empregos e melhores condições de vida. Ao chegarem ao local urbano, se deparam com alto preconceito e extrema ignorância de empresas e estabelecimentos que não os contratam, por falta de conhecimento ou incompreensão, tendo como única alternativa a deplorável moradia nas ruas das cidades almejadas.
Além da escassez de trabalho ocasionada pela migração interna no país, outro fator, que contribui para a crescente massa nas ruas do Brasil, é o uso e, porventura, vício em drogas lícitas e ilícitas. Muitas pessoas, ao viciarem em substâncias alucinógenas, perdem seus empregos, suas perspectivas de vida, sua família e podem perder ou serem expulsas de sua própria casa. Dessa forma, a maioria não vê outra escolha e decreta como residência as ruas, buscando pequenos valores, conhecidos como esmola, para sobreviver e sustentar o vício, que é inevitável para um dependente, biologicamente, afinal, segundo Paulo Neruda, o ser humano é livre para fazer escolhas mas torna-se prisioneiro das consequências, circunstância comprovada nesse caso.
Destarte, é necessário que o Estado, amplamente em conjunto com ONG’s e instituições especializadas em amparar moradores de rua, criem projetos para reinserção social, através de propostas de emprego e possíveis alojamentos gratuitos e temporários, por meio do auxílio de empresas dispostas a oferecer vagas e corporações imobiliárias presentes em projetos como esse, além de campanhas acerca dos impasses que o vício em drogas pode cometer em muitas vidas. Assim, a reintegração do indivíduo morador de rua se dará mais facilmente e, situações como as dos meninos em Capitães da Areia, se farão menos presentes na sociedade recente em nosso país.