Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 25/06/2020

O documentário “exclusos”, retrata a vida de diversas pessoas que, infelizmente, precisam morar na rua. A obra mostra as dificuldades e a dura realidade daqueles que por diversos motivos, viram na rua o único lugar que poderiam ir. A gravidade do problema é evidenciada pela negligência de direitos a esses indivíduos que, por conseguinte, os excluí da sociedade.

Em uma primeira análise, é válido salientar que o direito a moradia é assegurado pela Constituição Federal. Contudo, vê-se que tal lei não é vista na prática ao observar que no Brasil há mais de 100 mil moradores de rua, como comprovado pelo instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Primordialmente, nota-se que muitos moradores de rua - que em sua totalidade são pobres e ex moradores de comunidades carentes - veem na rua uma fuga da realidade, visto que, na maior parte das vezes, possuem problemas com familiares, problemas com drogas e muitas mulheres antes de chegar as ruas eram abusadas em casa. Sendo assim, essas pessoas fazem de moradia avenidas e portas de grandes lojas, pois não tem onde e a quem recorrer e, com isso, tais indivíduos comprovam a desigualdade vivida na sociedade brasileira.

Ademais, é importante destacar o preconceito sofrido por aqueles que moram nas ruas. incontestavelmente é indubitável que a sociedade julga, na maioria das vezes, o cidadão pela roupa que usa, por onde mora e pela situação financeira, uma vez que, segundo a mesma, são tais características que irão dizer o que o indivíduo é e, assim, excluí aqueles - como os moradores de rua - que não se encaixam em tal “padrão de pesquisa”. Em adição, esses indivíduos que não possuem residência sofrem preconceito em inúmeros lugares - como hospitais e grandes centros comercias - , pois muitas vezes, por não ter onde tomar banho estão com mau odor e são vistos como ladrões. Tal atitude contraria o pensamento do filósofo Emannuel Lévinas que diz que uma sociedade justa deve respeitar a alteridade dos seus membros, de modo que sua exclusão é uma forma de violência.

Portanto, é necessário que o Estado - setor responsável por zelar pelo coletivo - e Ministério da Cidadania construam, por meio de verbas públicas, centros sociais que contarão com moradia e comida para os moradores de rua. Aliado a isso, é necessário que o Estado e o Ministério do Trabalho - setor responsável pelo trabalho - recrutem moradores de rua que vivam em centros sociais para trabalhar, por meio da criação de um programa que fará parceria com empresas contratantes, para assim oferecerem tais oportunidades a esses cidadãos. Espera-se, com tais atitudes, que a realidade retratada no documentário não seja mais vista na sociedade.