Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 28/06/2020
O ex-morador de rua James Bowen relata em sua autobiografia “Um Gato de Rua Chamado Bob” o período de sua existência em que viveu nas ruas de Londres. Ao ter problemas com a família, ele se envolveu com drogas e tentou sobreviver sendo um artista de rua. Porém, era ignorado pelas pessoas e tratado como um homem invisível, o que só piorou o seu vício. Infelizmente, no contexto brasileiro também há uma parte da população na precária situação de rua. Certamente, devido ao descaso da sociedade e do Estado que os excluem da condição de cidadão e não fazem esforços para reverter essa circunstância.
Antes de tudo, vale ressaltar que o elevado crescimento de indivíduos nessa vulnerabilidade tem uma de suas raízes na filosofia do sistema capitalista. Segundo o sociólogo Karl Marx, a riqueza produzida pelo capitalismo é proporcional a miséria que ele gera. Enquanto alguns acumulam capital e adquirem terras, outros vivem na linha da pobreza e não conseguem ter dinheiro para necessidades básicas, como comida e moradia. De forma lamentável, os indivíduos entram nesse cenário de instabilidade pois não conseguem ter acesso a recursos e oportunidades.
Contudo, as questões envolvidas nessa problemática não ficam restritas apenas às causas, mas também às consequências. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2015, havia 101 mil pessoas vivendo sem um lar. De maneira lastimável, esses seres humanos diariamente são desprezados e agredidos fisicamente ou verbalmente por preconceituosos. Consequentemente, encontram um refúgio nas drogas e nas bebidas alcoólicas. Dessa forma, tendem a se tornar violentos e a furtarem para tentarem sobreviver, o que acarreta no aumento da violência urbana.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir o número de brasileiros em circunstância de rua. É fundamental que o Ministério da Cidadania faça uma parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e reinsiram esses indivíduos na sociedade. Isso ocorreria por meio da criação de instituições que acolham tais pessoas e garantam a elas uma morada temporária até que consigam um emprego e condições financeiras para pagarem por um lar. Além disso, esses abrigos iriam ter a presença de psicólogos para acompanhamento e tratamento dos viciados. Com essas atitudes, seria possível que os sujeitos superem as ruas e alcancem os pilares essenciais para a vida, da mesma forma que James Bowen conseguiu e descreveu em sua biografia.