Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 17/07/2020
A narrativa " Capitães de Areia “, do escritor modernista Jorge Amado, retrata o cotidiano de um grupo de crianças moradoras de rua abandonadas e marginalizadas na cidade de Salvador. Fora da ficção, o impasse abordado nela ainda se materializa na contemporaneidade brasileira, tendo em vista o aumento da população em situação de rua no país, a qual é vítima constante do estigma social e da negligência estatal. Logo, é fundamental analisar ambos os problemas, a fim de que se possa contorná-los.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o preconceito da população para com os moradores de rua impulsiona os efeitos da exclusão social. Dessa forma, segundo o sociólogo canadense Erving Goffman, o estigma social consiste nas marcas negativas atribuídas a certo grupos sociais, as quais os impedem de serem aceitos plenamente pelo corpo social. Em vista disso, tal estigma é observado no Brasil na medida em que as ofertas de emprego e oportunidades as pessoas de rua são inviabilizadas, devido à condição na qual se encontram. Assim, ao invés de ajuda os mesmos são hostilizados, a exemplo do ocorrido na cidade de São Paulo, onde pessoas em situação de rua foram expulsas a jatos de água por uma empresa de limpeza em um dia frio. Dessa maneira, é imprescindível uma mudança de comportamento da população para alterar esse cenário.
Outrossim, é notória a indiferença do Estado e da sociedade para com os moradores de rua no país. Desse modo, de acordo com dados do Instituto de Pesquisas Econômicas( IPEA) estima-se que no Brasil existam mais de 100 mil pessoas em situação de rua, sendo que grande parte deles encontram-se em cidades grande e capitais. Nesse contexto, convém frisar que mesmo com o aumento desses dados a cada ano, poucos são os esforços para mudar essa realidade prova disso é a falta de planejamento urbano e social e medidas que busquem a reintegração desses cidadãos a uma vida ativa na sociedade. Com isso, à ausência de direitos básicos garantidos pela Constituição Federal de 1988, promovendo assim um panorama de desigualdade em que à supressão das perspectivas, oportunidades e isonomia.
Entende-se, portanto, que o preconceito acerca dos indivíduos em situação de rua, aliada à inobservância governamental, é responsável pela falta de inclusão dessas pessoas no meio social. À vista disso, cabe ao Poder Público em parceria com o Ministério da Cidadania criar projetos de inclusão e reintegração social direcionados à população de rua, compostas por profissionais da saúde, assistência social e educacional além de cursos profissionalizantes interligados a empresas que visem oferecer trabalho, a fim de devolver a estes cidadãos todos os direitos sociais historicamente conquistados .