Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 18/07/2020

No livro “Capitães da Areia” o autor Jorge Amado, retrata a vida de meninos moradores de rua e suas lutas diárias pela sobrevivência. Fora da literatura, brasileiros vivenciam diariamente esse entrave, uma vez que no Brasil existe cerca de 101 mil moradores de rua, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). No que concerne a moradia, o descaso da população e a falta de assistência governamental são fatores atenuantes para o processo de exclusão social. Dessa forma, é necessário analisar tal quadro, a fim de reverter esse cenário.

É primordial ressaltar que esses indivíduos são, na maioria, desassistidos pelo governo que negligencia o seu deve de agir. A Constituição Brasileira de 1988, garante o direito à moradia e dignidade da pessoa humana, no entanto, na prática isso não acontece. Em virtude das brechas nas ações governamentais, trabalhos como “Anjos da Cidade" desenvolvidos por ONG’s, visam suprir as necessidades primárias oferecendo assistência básica através de apoio psicológico e distribuição de alimentos. Tais políticas, cujo objetivo é amparar as pessoas que delas necessitam, são insuficientes e geralmente não atacam a causa do problema, como vício em drogas, alcoolismo e baixa escolaridade, apenas tentam fornecer as necessidades básicas de sobrevivência, perpetuando esse cenário negativo.

Cabe reconhecer, no entanto, que a sociedade em sua maioria também tem uma parcela de culpa quando o assunto é a eternização desses moradores em vidas degradantes. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que, a questão dos moradores de rua já se tornou cotidiana e grande parte dos cidadãos já se habituou a ela, tornando a ação de passar por esses moradores e sequer notá-los, um senso comum.  A ignorância e a falta de informação leva pessoas a acreditarem que grande parte dos sem-teto estão nessa situação porque querem e por não terem se esforçado para mudar de vida, o que não é verdade.

Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para extinguir a segregação social e efetivar com êxito políticas governamentais. Cabe ao Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, emprego, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto as emissoras e as redes sociais, que divulguem a situação dessas pessoas e motivem a ajuda ao próximo, incentivando o senso de coletividade. Só assim, dando voz aos grupos minoritários, fugiremos da realidade descrita por Jorge Amado.