Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 18/08/2020
No filme “À Procura da Felicidade”, baseado em fatos reais, Chris Gardner e seu filho são obrigados a deixar o apartamento onde moravam, por falta de pagamento, passando a viver à deriva em albergues, metrôs e banheiros públicos. De forma análoga, milhares de brasileiros vão para as ruas anualmente. Entretanto, é observado uma tendência de aumento na quantidade de pessoas em situação de rua. Um dos principais motivos para esse acréscimo é o aumento do desemprego, que serve como catalizador para conflitos familiares. Além disso, apesar de a existência de albergues, eles não são suficientes para o público crescente, fora que as condições impostas por eles restringem a autonomia das pessoas, fazendo com que muitas optem por ficar nas ruas.
É relevante abordar, primeiramente, que um dos principais fatores que levam as pessoas a viverem sem teto é o desemprego que acirra situações negativas pré-existentes na família. Assim, sem o apoio familiar e sem dinheiro para pagar moradia, o indivíduo vai para a rua. De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, o que explicaria o incremento de pessoas nessas condições seriam as inconstâncias da modernidade atual, com o enfraquecimento das relações familiares e empregos cada vez mais exigentes de qualificações por parte do empregado. Dessa forma, com a falta de oportunidades de emprego que reintegrem o indivíduo na sociedade, a saída da situação de rua é dificultada.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que a quantidade de albergues disponíveis não é capaz de suprir a crescente demanda, principalmente em regiões frias do Brasil. Segundo o censo da população de rua, realizado em 2015 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apenas a cidade de São Paulo tem cerca de 16 mil moradores de rua, mas a prefeitura dispõe de somente 10 mil vagas em albergues. Ademais, a falta de leito e as normas impostas por esse tipo de abrigo, que limitam a autonomia, levam muitas pessoas a optarem por permanecer nas ruas durante a noite, colocando em risco a própria segurança.
Portanto, nota-se que medidas são necessárias para atravancar o aumento da população em situação de rua no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH) a criação de políticas públicas que relacionem ofertas de trabalho com disponibilização de moradia para a população, como a locação social, através do investimento em reformas e na criação de novos imóveis, a fim de diminuir o desemprego e oferecer habitações que concedam maior autonomia aos moradores em situação de rua e, com isso, promover uma reinserção na sociedade mais efetiva. Desse modo, será possível evitar que mais pessoas fiquem desabrigadas, assim como Chris Gardner.