Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 19/08/2020

No filme “Somos todos Iguais”, Denver é um morador de rua considerado, pela sociedade, violento e agressivo. Quando um voluntário lhe oferece comida, Denver lhe diz que, apesar de o voluntário estar saciando sua fome, ele continuará sem residência fixa. Fora do cinematográfico , as pessoas em situação de rua, assim como Denver, perdem as esperanças de obter direitos básicos como uma casa, ademais sentem -se constantemente excluídos pela humanidade. Nesse cenário deplorável, é fulcral medidas que cooperam para a obtenção de bem-estar físico e social, da população em condição de rua.

Em primeira análise, vale destacar que pessoas que residem em via pública não têm acesso aos direitos básicos garantidos por lei. Sob essa ótica, na Constituição Federal de 1988, no seu artigo 6°, diz que é dever do Estado garantir à saúde, educação, moradia, lazer e segurança dos brasileiros. Contudo, por negligência do Estado, esses direitos não beneficiam a população em situação de rua, por consequente essas pessoas vivem em condições precárias e estão mais vulneráveis à contrair doenças, à violência transtornos psicológicos, desemprego e a morte precoce. Diante dessa situação inquietante, é essencial que essa parcela da população tenha obtenção a esses direitos básicos, pois a falta deles os fazem viverem em circunstâncias precárias que desgastam seu físico e psicológico.

Em segunda análise, a sociedade trata as pessoas que vivem nas ruas como invisíveis. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Gilles Lipovestky, a humanidade contemporânea vive a era do vazio, na qual colocar-se no lugar do outro é uma atitude extinta. Paralelamente ao pensamento de Lipovestky, os homens pôs-modernos não se colocam no lugar do outro, sendo assim por não serem eles que estamos vivendo nas ruas, em condições deploráveis, agem como se esses seres não existissem. Nessa panorama lamentável, é necessário que a sociedade seja mais solidária com esse grupo social vulnerável, pois agir como se eles não existissem causa indignação e baixa autoestima neles.

Destarte, é fulcral medidas que coloquem pessoas em situação de rua em condições de vidas dignas. Nesse aspecto, o Ministério da Mulher, da Família e Direitos Humanos deve ampliar a quantidade de casas de acolhimento em todo o país, por meio de verbas governamentais,essas casas abrigaram pessoas que residiam em via pública e lhe ofereceram assistência médica, psicológica e social e cursos técnicos . Em contrapartida, a mídia deve promover campanhas de conscientização, por meio de comerciais televisos, com relatos de moradores de rua falando das dificuldades enfrentadas por eles e como se sentem em relação a invizibilação social. Somente assim, as pessoas que vivem nas ruas, como o Denver, teram acesso aos seus direitos básicos e se tornaram visíveis para a sociedade.