Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 10/11/2020
Em meados do século XIX, o Brasil através da Lei de Terras, começou a passar por um mais intenso processo de segregação social e espacial, no qual grupos historicamente vulneráveis sofreram as consequências ao serem privados de moradias e outros cuidados básicos, os restando apenas as ruas. Os impactos dessas ações são vistas até os dias de hoje, e ocorrem não somente pelo histórico caso de medidas ineficazes apresentadas pelo Estado para o controle dessa situação, mas também pela invisibilidade desses cidadãos aos olhos de outros como pessoas humanas.
Em primeira análise, é preciso ressaltar a negligência do Estado ao combate da atual situação. Segundo o site de informações G1, em 2018 houve um acréscimo de 17% no número de pessoas em situação de rua, isso se deu principalmente em razão do corte de gastos pela PEC 55, que resultou no fechamento de mais de 60 abrigos e clínicas especializadas no tratamento destes em vulnerabilidade social, nos quais grande parcela também lutam contra a dependência química. Tais infelizes ocorrências vem se tornando mais frequentes, colocando em risco a reabilitação daqueles em tratamento e condenando ás ruas mais uma vez aqueles que acreditavam terem encontrado ajuda. Dessa forma, é possível notar como o descaso do Estado para o aumento da situação e a ausência de recursos para o contorno desta linha, condenam duplamente aqueles em estado de vulnerabilidade.
Por conseguinte, tem-se a invisibilidade constante que as pessoas em situação de rua enfrentam diariamente. Em consonância com a escritora Jane Maulin, os olhos que levam alguém a se comover e querer proteger uma criança perdida no shopping, são muitas vezes os mesmos que se fecham ao passar por uma pedindo pelo o que comer na rua. Esses paralelos são tão frequentes que se tornaram normalizados ao ponto de muitos não se sentirem incomodados pelo fato de existir pessoas morando na rua, mas sim por elas ocuparem as ruas. Em 2019, fotos de baixo de uma ponte com pedras afiadas no Rio de Janeiro, ganharam atenção na internet, tais pedras foram colocadas por moradores da região, que alegavam que essas pessoas, poluíam visualmente o local. Essa situação, revela a negligencia não somente do Estado, mas também de seus semelhantes de forma cruel.
Depreende-se, portanto, a necessidade de comprometimento do Estado na criação de projetos sociais de acolhimento e instrução, por meio de parcerias público-privadas, com atividades voltadas a reabilitação, educação e direcionamento ao mercado de trabalho. Além disso, é primordial que a mídia, como formadora de opiniões, levante por intermédio de debates a colocação social destes em situação de rua. Espera-se, com o conjunto dessas ações, não somente renovar a vida dessa parcela da população com condições adequadas, mas também a visão do restante para com elas.