Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 11/12/2020

O documentário ‘‘Eu existo’’, mostra a ausência de direitos básicos no cotidiano das pessoas em situação de rua no estado de São Paulo. De maneira semelhante, em diversas regiões do país, nota-se o descaso vivido por essa população e como isso piora com a falta de políticas públicas aliada a sensação de invisibilidade.

Deve-se pontuar, de início, que a existência de direitos sociais, como a moradia e o trabalho, anula-se com a falta de ações do Estado para concretizá-los. Certamente, pode-se confirmar a falta de gestão entre os governos, federal, estaduais e municipais, quando observa-se a Política Nacional para a População em Situação de Rua (PNPR), uma vez que, decretada em 2009, pouco ou nada alterou a realidade vivida por essas pessoas. Dessa forma, a ausência de apoio à essa parte da sociedade confirma a displiscência governamental em torno do assunto e corrobora a necessidade de intervenção da comunidade brasileira quanto ao tema.

Além disso, conviver com a sensação de desprezo e inferioridade agrava ainda mais a situação das pessoas em situação de rua e impede que essas sejam ajudadas nas oportunidades que surgem. Nesse sentido, comprova-se a fala do filósofo Zygmunt Bauman, de que não são as crises que mudam o mundo, e sim a reação da sociedade quanto e elas, já que com o apoio e acolhimento de instituições e da população em geral para com esses indivíduos, suas visões sobre a vida e papéis institucionais podem ser reconstruídas. Logo, é de extrema importância a manutenção das relações sociais para a alteração do cenário atual.

Portanto, cabe aos entes públicos e privados, em parcerias com a União, estados e municípios, promover a inclusão das pessoas desamparadas por meio da inserção dessas ao mercado de trabalho e a moradia. Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deverá promover um programa de incentivos à empresas, direcionando verbas às regiões mais necessitadas e delegando reuniões trimestrais pelas principais capitais do país, a fim de criar a ponte de comunicação entre as cidades e o Estado. Além disso, por intermédio de propagandas pelas principais mídias sociais, o governo federal poderá mostrar o quanto as atitudes da população podem influenciar na redução da sensação de invisibilidade sentida por esses indivíduos. Dessa forma, a PNPR poderá ser efetivada e a rua voltará a ser somente um meio de locomoção.