Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 08/01/2021
A obra “Capitães da Areia” de Jorge Amado mostra o cotidiano de crianças marginalizadas que vivem nas ruas. Fora da ficção essa também é a realidade de milhares de brasileiros, os quais, por não possuírem moradia, ficam à mercê da violência urbana e de condições insalubres de sobrevivência. Nesse contexto, evidencia-se o descaso tanto do governo quanto da sociedade, que insiste em em excluir e negar a dignidade desses indivíduos.
Em primeiro lugar, nota-se a negligência do Estado perante a esse grupo social. Visto que, segundo a Constituição Federal de 1988, um dos objetivos fundamentais da República do Brasil é erradicar a pobreza e a marginalização, bem como reduzir as desigualdades sociais. Nessa perspectiva, as pessoas em situação de rua se encontram desamparadas pelo governo, com seus direitos sociais, como habitação, saúde e educação, invalidados, pois vivem em condições sanitárias precárias, de insegurança alimentar e expostos à diversas doenças. Assim, a displicência estatal se evidencia ao analisar os dados do Sistema Único de Assistência Social, os quais revelam que o número de moradores de rua cresceu 53% em apenas 4 anos na cidade de São Paulo.
Outrossim, esses indivíduos são tratados como invisíveis pela população. Conforme Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico em que suas estão em constante interação. Dessa maneira, o corpo social deve atentar-se às questões relevantes de modo a garantir um perfeito funcionamento. Entretanto, o que ocorre no Brasil é o oposto, tal grupo é constantemente marginalizado e silenciado a ponto de ter sua dignidade descartada, além do preconceito atrelado à ideia de que são bandidos. Por conseguinte, as notícias de ataques violentos, furtos e assassinatos contra moradores de rua têm sido cada vez mais frequentes.
Portanto, é evidente que as pessoas em situação de rua são desconsideradas da sociedade. Para mudar essa realidade, é necessário um plano governamental que supra os principais déficits desse grupo de forma articulada com a iniciativa privada. Desse modo, devem ser criados restaurantes a preços populares, um programa habitacional abrangente e oportunidades de emprego com vagas oferecidas dentro do próprio projeto, como pedreiros, auxiliar de cozinha, e pintores, de maneira a tornar o projeto mais autossustentável. Além disso, é imprescindível campanhas midiáticas que coloquem esse assunto em destaque, com o objetivo de sensibilizar a população e incentivá-la a fazer a sua função para garantir a coesão social.