Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 29/03/2021
´´Lares´´, palavra que originou o substantivo ´´lar´´, advém da mitologia etrusca e era atribuída aos deuses que cuidavam dos recintos domésticos. Evoca notoriedade, a interpretação mística dessa civilização sobre o ambiente de convívio, uma simbologia pertinente somente aos indivíduos possuidores de uma casa. Respeitante a essa cultura, nem todos os brasileiros usurpam de um harmônico lar, haja vista que a condição de rua é presente, muitas vítimas são sentenciadas a dependências externas e à inercia das políticas públicas.
A princípio, a subordinação a fatores exteriores, entendidos como a falência financeira, vício e conflitos com gangues, condiciona parte dos indivíduos a viverem nas ruas. Tal acepção orquestra com a obra ´´Os Retirantes´´, do pintor Cândido Portinari, que ambienta o sofrimento no semblante de uma família fugitiva da seca e sem local para abrigo. Analogamente, a reprodução dessas mesmas famílias no Brasil é real e comprova os motivos de dependência nas ruas. Sobre isso, a urgência monetária, resultante do desemprego, subtrai o direito à moradia para muitos conjuntos populacionais, os quais são destituídos de outras essências salutares, tais como os serviços de saúde e proteção. Desse modo, a sujeição das vítimas aos obstáculos do cotidiano urbano perpetua o quadro de desabrigados. Outrossim, a inércia das instituições públicas, principalmente no que concerne ao indiferentismo das autoridades, é gatilho para tal empecilho. Essa verdade dialoga com a filosofia de Santo Agostinho, no qual os indivíduos que não percebem o mal, estão em sintonia com ele. Nesse peculiar, a não percepção das corporações com a realidade circundante autoriza a permanência das vítimas nas ruas e mostra a sintonia do Brasil com o recorrente problema. Em vista disso, muitas pessoas que são condicionadas à situação de rua não são notificadas pelo aparato público e perdem grandes auxílios da prefeitura. Por consequência, a problemática é banalizada e os indivíduos flagelados pela falta de moradia permanecem nas ruas.
Portanto, compete aos agentes sociais aparar os indivíduos em situação de rua no Brasil. Para isso, o Ministério da Economia deve publicitar aparatos de atendimento financeiro nas ruas, com acesso a empréstimos monetários em troca de serviços, mediante verbas estatais, pois subsidiará as famílias carentes, a fim de reduzir as pendências externas. Em eminência às prefeituras locais, propõe-se a atuação das instituições nos bairros e nas redes sociais, com a emissão de cestas básicas e acessos a mercantis, por meio das mídias, posto que divulgarão a realidade problema, com fins de revitalizar as funções das autoridades e convocar grupos de ajuda. Somente assim, os lares serão usurpados pelos brasileiros graças aos aparatos harmônicos do Estado.