Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 23/04/2021

No livro capitães de areia, de Jorge Amado, retrata a vivência de menores em situação de rua, e aborda acerca da marginalização vivida por eles. De forma análoga, essa é uma das problemáticas ainda vivenciadas no Brasil, sobretudo nos centros urbanos, onde possuem indivíduos de diversas faixa-etárias vivendo nas ruas em condições insalubres. Tal situação, relaciona-se com o estigma vivenciado por essas pessoas em condições de vulnerabilidade, bem como pela aversão ao pobre dentro de uma sociedade capitalista, vertical e individualista.

Em primeira análise, as características e comportamentos rotulados de um grupo social como os moradores de rua são invisíveis. Diante disso, a filosofa Marilana Chaui afirma: “uma sociedade que trata seres humanos dotados de sensibilidade e linguagem como se fossem coisas, é uma sociedade violenta”. Ao observar tal pensamento, esses indivíduos são violentos quando submetidos a objetificação, ou seja, são silenciados. Logo, esses indivíduos são estereotipados como mendigos, violentos e marginais dentro de uma entidade em que não existe uma consciência coletiva e sensibilidade ao próximo.

Além disso, a aversão ao pobre faz ligação direta com a sociedade que busca se ausentar da consciência de classe e nega a realidade dos moradores de rua. Com base nessa afirmativa, o neologismo “aporofobia” cunhado pela filósofa Adele Cortina, faz referência a uma patologia social que ainda é um descaso com quem é visto de forma diferente dentro de um meio social. Dessa maneira, a visível situação dessa classe assusta a sociedade do bem estar onde a pobreza se faz presente, no entanto, são ainda invisíveis a comunidade.

Depreende-se, portanto, a relevância de igualdade de direitos aos moradores de rua que vivem de forma precária, mas precisam de visibilidade e qualidade de vida. Para que isso ocorra, a sociedade deve pensar de forma coletiva e exigir os direitos dessas pessoas consideradas invisíveis, por meio de denúncias e ações éticas para evidenciar a necessidade desse povo, como o efeito de garantir os direitos básicos e uma assistência de qualidade, para que assim seja evidenciado o bem coletivo e minimizado o problema social.