Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 19/05/2021
Preocupante e esquecida, a situação dos moradores de rua é motivo de preocupação na atual conjuntura do país. Nesse sentido, tanto a desigualdade social presente no Brasil, quanto o fenômeno de especulação imobiliária, demonstram uma negligência para com a comunidade dos sem-teto que, além de não serem ouvidos, são excluídos socialmente da população. Logo, providências fazem-se urgentes para atenuar a problemática.
Em primeiro plano, observa-se que a pobreza é perceptível por causa das concentrações de renda não igualitárias que, infelizmente, representam um papel limitante de oportunidades para o indivíduo, juntamente com as extremas diferenças vividas. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim “Os fatos sociais moldam a maneira de agir das pessoas pela influência que a sociedade exerce sobre elas”. Portanto, seguindo essa linha de raciocínio, as características já rotuladas pela sociedade sobre o morador de rua contribuem para a perpetuação do preconceito contra os sem-teto e para a ideia de que é impossível deixar sua condição de pobreza. Esses pensamentos levam o indivíduo à própria desistência e desesperança pois, consoante com a teoria da filósofa húngara - Agnes Heller - a habitação é necessária para a existência social, já que todo homem é fruto do cotidiano, nasce e nele se desenvolve.
Ademais, a mentalidade da população de gerar lucros futuros com imóveis desestabilizam também a situação do déficit habitacional brasileiro. A saber, nota-se que há muitos lotes e habitações vagos acumulados nas mãos de poucas pessoas, o que dificulta a compra de um terreno por um preço estável e menor pelos moradores de rua. Isto posto, a letra da música de Eduardo Dusek “troque seu cachorro por uma criança pobre” contextualiza a sociedade atual, cujas preferências pelos cuidados de um animal são mais importantes do que usar o dinheiro para ajudar minimamente as pessoas que estão nas ruas em situações precárias.
Portanto, ações normativas são imprescindíveis para melhorar as condições de vida dos moradores de rua. Diante disso, é preciso aplicar políticas públicas voltadas para o bem social – pelas quais as Organizações Não Governamentais (ONGs) e as Instituições Religiosas são corresponsáveis –, por meio da distribuição de roupas e alimentos e da disponibilização de abrigos temporários para os moradores de rua, com o intuito de melhorar suas condições vida. Além disso, é necessário que escolas e famílias ensinem sobre a consideração e o respeito por essas pessoas mediante aulas de ética, a fim de que os sem-teto não se sintam esquecidas da humanidade.