Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 21/07/2021

A novela ‘’Chiquititas’’ aborda as precárias condições vivenciadas por indivíduos marginalizados, na qual o personagem “Mosca” e sua irmã, Patrícia, lutam pela sobrevivência nas ruas. Fora das telas, no entanto, tal conjuntura não diverge do atual panorama brasileiro, visto que a desvalorização do trabalho voluntário e a negligência governamental corroboram significativamente para a permanência de moradores de ruas. Nesse sentido, convém analisar as causas e as soluções viáveis para atenuar essa problemática que impede o desenvolvimento integral dos indivíduos.

Deve-se analisar, de início, como o crescente sentimento individualista contribui para esse impasse. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações coletivas apresentam-se de forma imprevisível e possuem como principal consequência a fragilização dos vínculos humanos. Sob tal perspectiva, pode-se afirmar que os cidadãos, infelizmente, desenvolvem uma tendência ao individualismo, fato que impossibilita a ascensão de mobilizações sociais, como por exemplo, o trabalho voluntário em prol dos moradores de ruas, com a disponibilização de alimentos e produtos de higiene.

Somado a isso, é essencial compreender como o descaso governamental permite a manutenção dessa problemática. De acordo com a Constituição promulgada em 1988, é dever do poder público zelar pelo bem estar da população, garantindo os direitos essenciais a todos os cidadãos, como a saúde, segurança e educação. No entanto, são poucos, de fato, que possuem esses privilégios efetivados, visto que a permanência de moradores de ruas evidência a não garantia dos direitos presentes na Magda Carta brasileira, tendo em vista que esses indivíduos possuem seus direitos violados, pois se encontram em condições de vulnerabilidade social, sem acesso as condições mínimas para a sobrevivência.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte das Organizações não Governamentais (ONGs), que consistiria em campanhas de cunho informativo e de amplo alcance, na qual deve abordada a importância do trabalho voluntário em casas de abrigo, através dos principais meios de comunicação, como publicações nas redes sociais e reportagens em canais abertos, com o objetivo de promover a empatia nas relações sociais e, consequentemente, diminuir o individualismo. Ademais, é necessário que o Governo, instância máxima de administração executiva, priorize investimentos em políticas públicas que visem a criação dessas residências e a disponibilização de cursos gratuitos de capacitação para garantir a integração dos moradores de rua posteriormente no mercado de trabalho, a fim de garantir os direitos presentes na Magda Carta brasileira.