Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/07/2021

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o acesso irrestrito à moradia. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, haja vista que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de duzentos mil brasileiros estão em situação de rua. Esse cenário nocivo ocorre não só em razão da falta de empatia do corpo civil, mas também devido a políticas públicas ineficazes do Estado.

Em primeiro plano, é relevante destacar o alheamento da sociedade frente ao combate à situação de rua. À vista disso, no livro “O poder da empatia”, o filósofo australiano Roman Krznaric traz a empatia como a arte de se colocar no lugar do outro para mudar o mundo. Seguindo essa linha de pensamento, tendo em vista os abismos socioeconômicos existentes no Brasil, a camada detentora de maior poder aquisitivo, a qual tem acesso à moradia de forma digna, infelizmente, se abstrai na luta contra a falta de habitação, por egoísmo e indeferença à população vulnerável. Nesse sentido, é notório que há um desarranjo do corpo civil no combate à desigualdade social, já que a esfera mais abastada poderia usar seu poder de voz para atrair visibilidade na problemática. Assim, torna-se mais árduo alcançar um mundo mais justo, consoante às ideias de Krznaric.

Além disso, vale destacar, também, a ausência de medidas governamentais efetivas para assegurar o acesso à moradia a toda população, independente de região ou classe social. Sob essa ótica, segundo o jornal BBC, desde 2020, a pandemia do novo CoronaVírus impulsionou os números de pessoas morando nas ruas, devido à alta taxa de desemprego. Desse modo, nota-se que um problema que não deveria sequer existir, dado o enorme défici habitacional do país, residências sem ocupação, e uma vasta extensão territorial apta à construção de habitações, é uma triste realidade em uma nação que presa por igualdade e democracia. Entretanto, o negligenciamento do Estado em garantir programas habitacionais eficazes que findem esse quadro de desequilíbrio é fator exponencial no crescimento das injustiças e desigualdades, dado que o governo não cumpre seu papel de amenizar as mazelas sociais.