Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 14/10/2021
A moradia é considerada um direito humano universal desde 1948. Entretanto, no Brasil, essa legislação não é consolidada, haja vista que mesmo após 7 décadas a taxa de desabrigados continua crescendo, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(IPEA), entre 2012 e 2021, cresceu 140%, tal crescimento demonstra a negligência estatal com os desabrigados que é consequência da miséria e da invisibilidade dos narcóticos.
Primeiramente, é incontestável que a existência de pessoas sem casa é consequência da pobreza extrema derivada do capitalismo. Nesse sentido, no filme “Divergente”, todos os que não se encaixavam no sistema eram marginalizados, por conseguinte, se tornavam “moradores de rua”. Analogamente, no Brasil, como país capitalista, os mais pobres, por não possuírem dinheiro para comprar uma propriedade, acabam por ter o direito ao lar negado. Isso porque no sistema de produção vigente é necessário consumir para ser incluido. Nessa lógica, o indivíduo é considerado um objeto, posto que, se não possui dinheiro, não consome, logo é marginalizado pela classe dominante e pelo estado. Desse modo, enquanto a lógica regente for o “consumo logo existo”, o número de brasileiro em situação de crescerá.
Ademais, a guerra contra as drogas também é uma das causas dos elevados indíces de “moradores de rua”, já que segundo a Coordenadoria de Prevenção às Drogas, 60% das pessoas em situação de rua usam o crack, ou seja, o contexto brasileiro de pessoas nessa condição está entrelaçado com o uso de drogas. Essa problemática ressalta a relação do abandono estatal desses usuários, visto que a presença dessas pessoas na rua é persistente devido à falta de intervenção nesse problema de saúde pública, como exemplificado na triste realidade da “cracolândia”, em São Paulo, reflexo da descaso estatal, posto que, segundo com a UNIFESP, esse local agrupa cerca de 1.700 pessoas. A cracolândia, portanto, é uma junção de usuários de entorpecentes, uma classe que já é socialmente marginalizada e encontra nas ruas o “abrigo” que é negado pela União. Desse jeito, enquanto o Estado se mantiver omisso a realidade da dependência química, ainda haverão brasileiros nessa condição.
Assim, o Estado deve intervir nesse problema que rouba a dignidade de milhares de brasileiros. Nesse viés, o Ministério da Cidadania deve minimizar o número de pessoas em situação de rua. Isso deverá ocorrer por meio do abrigo “Nosso lar”, local responsável por acolher, alimentar, instruir e tratar pessoas em situação de pobreza extrema- essa instrução ocorrerá mediante cursos profissionalizantes como: cabelereiro, padeiro, para incluir eles no mercado capitalista. Com isso, o triste problema das pessoas em situação de rua no Brasil será minimizado.