Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 12/11/2021

A obra do escritor baiano Jorge Amado “Capitães da areia” conta a história de um grupo de crianças de ruas, marcadas por maus tratos, fome, violência e abandono, que se uniram para sobreviver e se alimentar. Fora da literatura, no que tange à questão do grande índice de moradores de rua no Brasil, percebe-se a configuração de um grave problema da sociedade. Com efeito, tornam-se evidentes como causas a negligência estatal, bem como a invisibilidade social.

Convém ressaltar, a princípio, que a indiferença do Governo acerca desse tema é um fator determinante para a persistência da situação. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, cria o conceito de “Instituição Zumbi”, a qual existe, mas não cumpre o seu papel proposto. Sob essa ótica, pode-se relacionar esse fenômeno ao Governo brasileiro no que se refere aos moradores de rua, já que estes são completamente marginalizados pelo órgão garantidor de direitos básicos, como moradia e alimento, segundo a Constituição Brasileira de 1988. Assim, é imprescindível que, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, essa problemática seja resolvida.

Além disso, outra dificuldade encontrada é a exclusão desse grupo específico quanto à sociedade. Nesse contexto, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago, escritor português de grande importância, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a alienação dos indivíduos frente às demais realidades alheias. A par desse raciocínio, é possível constatar que grande parte da população ignora problemas sociais, como o elevado número de cidadãos sem moradia, fato que dificulta sua resolução, visto que não há quem lutar por essa minoria.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, cabe ao Governo Federal, principal Instituição responsável por garantir o bem-estar da população, criar abrigos para pessoas em condição de rua, por meio da verba arrecadada por impostos, a fim de que estes recebam seus direitos básicos prometidos pela Constituição. Ademais, é papel da Mídia conscientizar o povo sobre as demais realidades. Somente assim, “Capitães da areia” será somente uma história fictícia.