Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 16/11/2021
O sociólogo canadense Erving Goffman conceitua em sua obra “Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada”, o termo estigma social como a situação do indivíduo que está inapto para a aceitação social plena. A obra exemplifica uma problemática persistente associada à situação dos moradores de rua na sociedade brasileira, uma vez que o autor discorre sobre os padrões sociais na esteriotipação de um indivíduo que é desconsiderado como “criatura comum” e reduzido a uma “espécie menos desejável”. O cenário torna-se ainda mais preocupante quando o descaso governamental está presente mediante a negligência do papel do Estado como principal responsável pelo bem-estar social.
Nesse sentido, os gregos definiram estigma como sinais corporais que determinada parte da população apresentava e que determinava seu status moral. De maneira análoga, atualmente, as características associadas às pessoas em situação de rua são usadas com a intenção de esteriotipar os comportamentos desses indivíduos que, geralmente, são associados à ilegalidade. Esse pressuposto dificulta a inclusão social desses cidadãos e fortalece sua inferiorização na sociedade, uma vez que gera preoconceito nas pessoas que tem contato com esse tipo de pensamento.
É importante pontuar, ainda, que a negligência governamental é tão presente na vida desses indivíduos quanto a estigmatização social. A Constituição Federal de 1988 determina que todo cidadão tem direito a moradia, entretanto a insuficiência do Estado no cumprimento das suas responsabilidades exemplifica o que o sociólogo Zygmunt Bauman denomina como “Intituição Zumbi”, uma vez que mesmo não cumprindo seu papel social, busca manter sua forma a todo custo. Desse modo, o cidadão como ser holístico tem sua dignidade humana afetada.
Entende-se, portanto, que é necessária a mudança do pensamento social para garantir a participação da sociedade no auxílio a população em situação de rua. Nesse sentido, as Secretarias dos Direitos Humanos e Assistência Social podem promover ações para reforçar a necessidade do envolvimento da comunidade nessa problemática. Cabe, também, aos Centros POP(Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua) intensificar a busca ativa por indivíduos que vivem nessa condição, através das equipes do Serviço de Abordagem Social, uma vez que são os responsáveis por oferecer escuta qualificada e serviços essenciais para moradores de rua. Espera-se, desse modo, que as pessoas nessa situação possam ser acolhidas, escutadas e auxiliadas de modo que o estado possa cumprir sua responsabilidade com os cidadãos e a problemática seja atenuada.