Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 17/11/2021

O filme “A Procura da Felicidade” retrata a história verídica de Chris Gardner que compra diversas máquinas portáteis para vender e, infelizmente, seu negócio não  obteve tanto sucesso e prosperidade, logo, ele perde muito dinheiro. Com esta situação, sua parceira o expulsa de casa, junto com o filho pequeno, deixando ambos em situação de rua por diversos anos. No contexto nacional atual, indivíduos como Chris não só sofrem com a falta de moradia, mas com a falta de alimentação, emprego e saneamento. Isso ocorre, pois falta uma conscientização geral deste tópico e, também, existe uma carência de ajuda para as vitímas deste sistema tão falho.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente aos moradores de rua, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal neste caso. Segundo o censo da Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social, São Paulo apresenta cerca de 16 mil pessoas em situação de rua e, mesmo diante deste cenário alarmante, a assistência dada a estas pessoas, quando oferecida, não é, na maioria das vezes, eficaz. Isso acontece pela falta de investimento público em casas de acolhida para receber corretamente cada morador de rua. Consequentemente, muitas destas vítimas sofrem para se manter nas ruas, sobretudo aqueles que precisam cuidar de seus filhos, não são devidamente auxiliados, contribuindo para sua progressiva marginalização perante o corpo social.

Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca da escassez de recursos que o governo brasileiro oferece para o auxílio dos marginalizados em questão, uma vez que existem instituições federais que podem solucionar esta crise humanitária, todavia não possuem um orçamento suficiente para estas ações. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação da teoria do sociólogo polonês, essa problemática seja revertida.

Urge, portanto, que a Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social coopere para mitigar a questão dos moradores de rua no Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar o aumento destas vítimas, por meio de auxílio financeiro, alimentício e entre outros, capazes de desconstruir a prevalência desta crise humanitária. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover doações de dinheiro, alimento, itens de higiene e outros pertinentes para a sobrevivência das pessoas em situação de rua. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará o fim desta terrível crise humanitária existente no Brasil.