Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 18/11/2021
Em 2020, o pade Júlio Lancelotti ganhou notoriedade na internet após destruir blocos de concreto instalados embaixo de viadutos da cidade de São Paulo, os quais impediam que moradores de rua se abrigassem nesses locais. Entretanto, essa ação do padre, mesmo que benéfica, não resolve um grande problema contemporâneo das cidades brasileiras: o aumento do número de moradores de rua. Nesse sentido, para combater esse cenário, há de se analisar a indiferença da sociedade, bem como a omissão do Estado.
Em primeiro lugar, é fundamental considerar que uma sociedade alheia aos problemas sociais potencializa o aumento de pessoas em situação de rua. A esse respeito, a autora Simone de Beauvoir disserta sobre a ideia de indiferença da sociedade, segundo a qual o corpo social valoriza mais o indivíduo pelo seu papel social. Sob esse aspcto, os moradores de rua são vistos como irrelevantes para a coletividade, visto que não contribuem ativamente para a economia, o que os torna marginalizados, desumanizados e invisíveis para o restante da população. Dessa forma, enquanto esse comportamento excludente da sociedade se mantiver, a população de rua continuará oculta para o restante da comunidade civil.
Ademais, é crucial dar ênfase a inércia estatal como um dos motivos para o agravamento da situação dos desabrigados. Nesse viés, o filósofo Thomas Hobbes define que o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população. Todavia, a continuidade de políticas ineficazes - como subsidiar empresas para contratar moradores de rua que possuem alguma qualificação profissional - para combater os aumentos de desemprego, desigualdade e especulação imobiliária criam um cenário propício para que as pessoas as quais não possuem recursos financeiros para pagar uma moradia procurem refúgio nas ruas. Logo, é notório que a imobilidade do Estado distancia o país do conceito defendido por Hobbes, haja vista que indivíduos que não possuem qualificação profissional, não são de interesse dos meios de produção.
Portanto, faz-se necessário uma maior atuação dos governantes para minimizar essa problemática. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura deve criar casas de acolhimentos, por meio de liberação de capital pelo Ministério da Economia, com a finalidade de dar melhores condições de moradia aos sem teto. Além disso, essas casas devem possuir cursos de capacitação profissional para que os desabrigados possam ser inseridos no mercado de trabalho, gerar lucro para as empresas contratantes e, por fim, aquecer a economia através do consumo.