Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 30/05/2022

O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, narra o momento angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia a sua caminhada. Fora do contexto poético, o Brasil também enfrenta um obstáculo: a invisibilidade dos moradores de rua. Tal problemática persiste devido ao desemprego e à falta de planos inclusivos.

Em primeira análise, é importante destacar que a crise econômica brasileira colabora para que os moradores de rua continuem nessa situação alarmante. Sobre isso, o sociólogo Louis Althusser afirma que a elite, a qual detém o poder do Estado, usa seus recursos financeiros para benefício restrito e próprio. Nesse sentido, percebe-se que os moradores de rua brasileiros sofrem com crise monetária e, consequentemente, sofrem com o desemprego, posto que o capital não é utilizado para a promoção de políticas públicas que contornem tal cenário. Essa situação é observada na quebra do teto de gastos para manutenção de privilégios, de acordo com artigo da Gazeta do Povo, o que põe como secundário a resolução de problemáticas como a permanência da população na rua.

Ademais, é válido ressaltar que o esquecimento dessa parcela significativa e moradora de rua também é alimentada pela falta de estudo e remanejo social. A respeito disso, o jornalista Gilberto Dimenstein, na sua obra “O cidadão de papel”, descreve que o tecido social brasileiro é caracterizado por uma cidadania apenas no âmbito ideal, visto que não possui força transformadora na condição real e popular. De fato, é notório que os direitos constitucionais não se concretizam na vida dos moradores de rua, posto que essa parcela só aumenta. Essa situação, infelizmente, prova a invisibilidade das pessoas moradoras de rua.

Diante do fato supracitado, medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é preciso que o Governo Federal, mediante decretos presidenciais, destine verbas para planos nacionais e regionais os quais cuidem dos moradores de rua, para que haja uma descentralização dos investimentos e interesses. Além disso, cabe ao Poder Executivo executar políticas públicas já propostas por institutos e univerisidades, para que a lei tenha força e a invisibilidade cesse. Assim, o país estará apto para ultrapassar a pedra que está em seu caminho.