Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 08/07/2022
Segundo Immanuel Kant, a origem da ética reside na razão e os indivíduos devem submeter-se a ela como uma norma universal. No entanto, percebe-se que tal conceito contrasta com a realidade brasileira, visto que o Estado e a população brasileira naturalizaram a existência de moradores de rua. Em virtude desse cenário, parcela da população enfrenta uma realidade de completa destituição de direitos. Dessa forma, percebe-se que uma sociedade, na qual é normalizada a existência de moradores de rua, a ética defendida por Kant inexiste.
Por esse viés, fica evidente que a racionalidade e que a moral não regem as regras de conduta na sociedade, uma vez que o individualismo e que a falta de empatia estão muito presentes nas relações humanas. Sob essa óptica, a apatia do Estado em promover políticas públicas efetivas de combate a desigualdade e acesso à terra reflete-se nas telas e páginas dos jornais. Tal cenário é retratado na matéria do G1, acerca do falecimento de Isaías de Faria, sem-teto, que morreu de hipotermia em São Paulo. Portanto, para transformar essa realidade de invisibilidade e sofrimento é necessário que o poder público utilize da ética para promover um país mais igual.
Por conseguinte, é evidente que a democracia brasileira é falha, já que os moradores de rua são privados da sua cidadania e dos seus direitos constitucionais. Nesse sentido, para Rousseau os indivíduos submetem-se ao poder político, mediante um pacto social para que seja garantido o bem comum. No entanto, esse pensamento conflita com a realidade brasileira, pois a privação do direito à moradia demonstra que o bem comum não é assegurado. Dessa forma, é necessário que a democracia seja garantida em sua totalidade para resolver esse impasse.
Destarte, é fundamental que as escolas promovam aulas e palestras sobre ética, cidadania, inclusão e respeito. Além disso, é fulcral que Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos proporcione amparo social, por meio da construção de moradias e de uma reforma agrária que busque diminui as distorções sociais e econômicas existentes. Dessa forma, promovendo uma sociedade mais empática e que promova melhores condições de vida aos sem-teto.