Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 11/07/2022
“Convivemos no frio, somos maltratados, pior que cachorro, a gente sobrevive dia por dia. Não temos condições nenhuma, tudo é precário. As pessoas acham que moradores de rua são todos vagabundos”, disse Sebastião Luiz, morador de rua há 8 anos. Essa narrativa, denuncia um grande problema atual: a vulnerabilidade, o preconceito e a invisibilidade que acomete as pessoas em situação de rua. Dessa forma, evidencia-se que esse lamentável cenário é uma questão social que assola o Brasil, e precisa, urgentemente, ser revertido.
Nesse sentido, lamentavelmente, devido ao cenário de crise socioeconômica houve o aumento de pessoas em situação de rua. Uma vez que, as taxas de desemprego aumentaram, bem como o custo de vida e a especulação imobiliária, fazendo com que, milhares de pessoas, sem condições e sem alternativas, acabassem na rua. Assim, essa triste realidade é demonstrada nos dados divulgados pelo IPEA, em que foi observado um aumento de 140%, subindo para 222 mil pessoas. Posto isso, essa minoria não é devidamente tratada o que contribui para sua marginalização.
Ademais, invisibilidade. Preconceito. Vulnerabilidade. Esse termos caracterizam o cotidiano dos moradores de rua. Por esse prisma, para essas pessoas, viver nas ruas têm sido sinônimo de conviver com a violência diária, que se dá por meio de agressões físicas e verbais, da discriminação, da falta de acesso à educação, ao mercado de trabalho, a postos de saúde. Consoante a Pierre Bourdieu, esses “sem-teto” são vítimas da violência simbólica, a qual por ser banalizada, legitima as agressões e o descaso aos moradores de rua. Portanto, urge que empatia e solidariedade sejam hábitos naturalizados e amplamente difundidos.
Destarte, é importante que as prefeituras em conjunto com ONG’S realizem mutirões para o cadastramento dos moradores em programas de benefício do governo, além da oferta de palestras, de cursos e de projetos que busquem a reinserção deles nos núcleos familiares e no mercado de trabalho. Como também, cabe a sociedade ações solidárias e um olhar mais empático e humano para esses “Sebastiões”. Tudo isso, com finalidade de diminuir o preconceito, a sensação de invisibilidade e restaurar a dignidade e garantir seus direitos fundamentais.