Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 20/10/2022
De acordo com o último levantamento oficial realizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2020, cerca de 0,1% da população brasileira vive nas ruas. Em primeira vista, o número parece pequeno, mas após um aumento de 140%, corresponde a mais de 200 mil brasileiros nessa situação. Sob esse viés, a ineficácia do estado em assegurar o cumprimento da Constituição Federal, que em seu artigo 6º garante a todo cidadão brasileiro o direito a moradia, contribui para a manutenção do problema.
No entanto, a pandemia de COVID-19 aparece como uma catalisadora do aumento no número de pessoas nas ruas. Durante o ápice da pandemia, o número de desempregados aumentou para 13,7%, de acordo com um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa) em 2020. Sob efeito da pandemia, muitos brasileiros perderam seus empregos e, sem condições de sobrevivência digna, tiveram a rua como única opção.
Por outro lado, a invisibilidade sofrida por esses indivíduos contribui ativamente para o problema. Sob essa ótica, o desleixo da mídia com essa população é um fator importante. Malcom X, ativista afro-americano, disse há algumas décadas: “Se você não for cuidadoso, os jornais vão acabar te fazendo odiar as pessoas oprimidas e adorar os opressores”. Assim, a pouca atenção dada pela mídia a esses indivíduos, até mesmo em casos de assassinatos bárbaros sofridos por moradores de rua, reforça um já estratificado preconceito na sociedade brasileira.
Portanto, cabe ao Estado, através do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve criar condições, através de parcerias público-privadas, para a construção de mais habitações e restaurantes comunitários, diminuindo a burocracia para acesso aos já existentes e possibilitando o acolhimento de mais cidadãos. Ademais, através do Ministério do Trabalho, o Estado deve viabilizar a criação de novos postos de emprego, atacando uma das principais causas que leva as pessoas a situação de rua. Somado a isso, cabe a mídia, através de campanhas publicitárias, conscientizar a população sobre essas pessoas, em vistas de diminuir o preconceito enfrentado por essa população.