Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 02/11/2022
No filme norte-americano “Divergente”, o grupo conhecido como “sem-facção” é formado por pessoas marginalizadas e que vivem sem amparo. De forma seme-lhante, no cenário hodierno brasileiro, as pessoas em situação de rua, ao serem invisibilizadas pelo Estado e pela sociedade, são segregadas, o que reflete a inope-rância governamental e o preconceito social. Considerando esse contexto, é essen-cial analisar os principais perpetuadores do problema.
Sob esse viés, é importante destacar que a ineficiência do Estado é um fator pre-ponderante para a ocorrência dessa situação. Isso porque, assim como pontuou a antropóloga Lilia Schwarcz, há, no Brasil, a prática de uma política de eufemismos, na qual problemas tendem a ser suavizados ou ignorados. Assim, ao não dar visibi-lidade e não combater esse revés por meio de políticas públicas direcionadas, o governo intensifica o problema, haja vista que aqueles que moram nas ruas depen-dem do amparo da máquina pública para sair dessa situação. Logo, enquanto houver negligência do Poder Público, essa questão permanecerá.
Concomitantemente, convém pontuar que o preconceito e a discriminação reper-cutem na manutenção de pessoas em condição de rua. Tal questão reflete o que o sociólogo Pierre Bourdieu denomina Violência Simbólica, isto é, a violência que se manifesta no campo simbólico e acarreta coerção, discriminação e marginalização. Nesse sentido, o não reconhecimento desse grupo social como integrante da socie-dade impede a coesão social e a empatia, o que faz com que a coletividade não se movimente em prol do desenvolvimento de medidas que busquem minimizar ou extinguir tal situação, como pressionar o poder público na resolução da situação, bem como promover a criação de projetos de auxílio a esse grupo de pessoas.
Portanto, torna-se evidente a imprescindibilidade de ações que revertam essa si-tuação. Por isso, o Governo Federal deve reconhecer e combater o problema por meio da criação de instituições de amparo àqueles que moram nas ruas do país, as quais devem oferecer condições dignas de sobrevivência, materializada na moradia e na disponibilização de alimentos, além de promover projetos remunerados que possibilitem o sustento financeiro dessas pessoas. Visa-se, dessa forma, a reduzir o número de indívíduos nas ruas e garantir condições adequadas de vida.