Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 03/11/2023

Segundo o filósofo John Locke, “É de todo cidadão o direito à vida, à liberdade e à propriedade”. Nesse viés, na conjuntura brasileira, a realidade se distancia do ideal, haja vista que a questão dos moradores de rua possui desdobramentos nocivos. Dessa forma, a arquitetura hostil e a falha na educação configuram desafios para redução do quadro em tela. Nessa lógica, é imprescindível a intervenção sociogovernamental, a fim de superar os obstáculos mencionados.

Em primeiro plano, vale destacar a integração da arquitetura hostil nas ruas das cidades brasileiras. Assim, o termo retratado consiste na estratégia de acrescentar nos espaços urbanos superfícies pontiagudas, barras de ferro e pedras, que fomenta a marginalização dos desabrigados. Nesse sentido, o Estado, ao investir na construção de estruturas arquitetônicas inóspitas para os sem-tetos em busca de locais de descanso, favorece apenas uma parcela da população, uma vez que a outra parte tem suas necessidades negligenciadas.

Além disso, cabe evidenciar a deficiência do sistema educacional de qualidade no Brasil. Consoante o economista William Lewis, “A educação nunca foi despesa, sempre foi um investimento com retorno garantido”. À luz disso, o cidadão sem moradia, resultado da falha do ensino escolar, enfrentou dificuldades em garantir boas condições de vida a si mesmo, visto que não foram disponibilizados recursos suficientes para ingressar nas instituições profissionalizantes. Logo, o perpetuado descaso do Governo acerca da reversão do supracitado, permite o crescimento de novas pessoas sujeitas a morar nas ruas do país, motivado pela baixa escolaridade.

Diante do exposto, faz-se necessário propostas governamentais que mitiguem a temática. Para isso, é fulcral que a mídia - grande difusora de informação e um potencial formador de opinião - promova a conscientização, por meio de campanhas, reportagens e propagandas, a fim de estimular o declínio da arquitetura hostil que provoca a exclusão social dos sem-tetos. Ademais, o Estado deve garantir a educação satisfatória dos brasileiros, por intermédio de investimentos financeiros nas escolas públicas, com o fito de proporcionar oportunidades aos indivíduos e, assim, evitar frustrações futuras. Com isso, ao efetuar tais medidas, será possível a resolução da problemática.