Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 12/03/2020

Adorno e Horkheimer provaram que os meios tecnológicos da indústria de massa eram utilizados de forma arbitrária a fim de atingir finalidades escusas aos interesses da coletividade. Essa teoria pode ser reconhecida na atuação de Getúlio Vargas ou dos institutos IPES e IBAD quando disseminaram ideologias particulares ao povo usando o rádio e a televisão. Atualmente, em tempos tecnológicos, as formas de totalitarismo estão mais disfarçadas que espião na Guerra Fria, porém são mais perigosas.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que Steve Jobs disse que a tecnologia moveria o mundo, e, de fato, ela aumentou a boca, mas diminuiu o cérebro das pessoas. Por exemplo: durante o surto de coronavírus, um autointitulado químico autodidata lecionou em vídeo viral que o álcool gel era ineficiente preventivamente, e, ato reflexo, a Associação dos Químicos classificou aquela conduta como mentirosa e criminosa. Como moral da parábola, percebemos que uma informação falsa, deduzida sem regular supervisão, circulou muito nos celulares da Apple e foi mais difundida que o próprio vírus, pois, fantasiada de solução, inflou a ignorância pelo mundo.

Com efeito, esse é pior problema da era digital: as informações falsas mimetizam a verdade e têm surgido em todos os campos da sociedade.  De fato, a desinformação propagada pelo “autoquímico” é reflexo de movimentos iniciados em mídias sociais, como o movimento antivacina (iniciado por um estudo científico falso de Andre Wakefield). Na mesma linha, existem populações inteiras adeptas de movimentos anticiência, tais como os terraplanistas e os contra aquecimento global. Há também milícias digitais, que atuam em prol deste ou daquele político, espalhando o ódio.

Portanto, é preciso combater essas formas de totalitarismo com sabedoria. Nesse caso, é necessário que as associações de classe (como a Ordem dos Advogados e o Conselho de Medicina) criem órgãos para reunir advogados e médicos que poderão ministrar palestras em escolas, em um “Dia da Conscientização”. Assim, profissionais podem desmistificar notícias falsas e diminuir a influência de totalitarismos sobre a população.