Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 04/09/2019

A obra cinematográfica de Fritz Lang, “Metrópolis”, retrata uma dicotomia global que separa a civilização em dois distintos grupos: ricos industriais que governam Metropólis a partir de arranha-céus, e trabalhadores subterrâneos que operam as máquinas que fornecem energia à cidade. Nesse sentido, hodiernamente é possível encontrar um paralelo, em que grandes oligopólios aliados ao Estado determinam as vontades das classes sociais menos favorecidas, através das tecnologias disponíveis. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro e como impedir essa crescente forma de controle social nos dias atuais.

Na obra descrita, o acesso à tecnologia está intrinsecamente ligado às condições financeiras dos indivíduos, o que explica a discrepância de classes entre a elite e os trabalhadores. Concomitantemente, no Brasil a situação é similar; os grandes empresários detêm as grandes campanhas publicitárias e abusam desse fator para delimitar a ideologia das massas para benefício próprio, como forma de vender mais produtos ou difundir ideais dos próprios empresários. Análogo ao fato supracitado, essa realidade foi idealizada por Francis Bacon como “o modo mais produtivo de impedir as revoltas”, sendo esse modo a eliminação do senso crítico da população.

Faz-se mister, ainda, salientar que a perpetuação da ignorância na sociedade brasileira impulsiona o problema. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, o indivíduo nasce como uma folha em branco, e é moldado pelas relações pessoais e pela cultura em que cresce. Entretanto, quando a elite é detentora da mídia e das redes de comunicação digitais, esse indivíduo passa a ser influenciado por esses aparatos tecnológicos e deixa de desenvolver sua identidade. Dessa forma, a pessoa passa a crescer como mais uma potencial vítima das propagandas ideológicas de grandes empresas. Diante de tal contexto, é de fundamental importância a atuação do Estado como mediador da desenvoltura dos cidadãos, e do controle do que pode ser propagado pelas classes mais altas. Assim, permitirá que a população tenha a oportunidade de se ver livre do totalitarismo ideológico do mercado.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves na solidificação de políticas públicas que visem a construção de um mundo melhor. O Ministério da Educação, deve propiciar debates e palestras nas escolas sobre a importância do senso crítico e do desenvolvimento pessoal, de forma a buscar a maturação da identidade pessoal de cada cidadão. Dessa forma, o Brasil poderia superar o problema do controle das massas pelas grandes corporações, e, a partir dessas ações, promover uma melhora das condições sócio-educacionais de toda a população; de maneira a evitar o mundo distópico retratado na obra de Metrópolis.