Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 07/09/2019

É inerente ao ser humano o desejo pelo poder. Durante os milhares de anos que habitam a terra, diversos governos e tentativas de governos autoritários existiram ou ainda existem, como é o caso da China ou Coréia do Norte, e sempre usaram dos mais diversos artifícios para controlar a população, como ideologias ou até mesmo força física. Na atualidade, apesar de ter partes benéficas, a tecnologia tem sido o meio utilizado para monitorar a população, mapeando seus gostos, costumes e atividades, prejudicando o indivíduo que, muitas vezes, não faz ideia de que está liberando suas informações para terceiros, o que faz com que percam autonomia sobre a própria vida sem nem mesmo perceberem.

Primeiramente, é válido salientar que sempre houveram ressalvas quanto ao uso exagerado da tecnologia. Apesar de, muitas vezes, ser muito cômodo usá-la, como, por exemplo, pagar contas, usar o GPS ou fazer alguma compra online, tudo o que se faz na internet fica armazenado em servidores pertencentes a empresas privadas. É possível fazer um paralelo com a “Teoria dos Micropoderes”, do filósofo contemporâneo Michel Foucault, que é caracterizada por ações tóxicas e sutis realizadas de forma cotidiana sobre um indivíduo, a ponto de que ele não consiga perceber e se esquivar do que está lhe fazendo mal. Com  a nova forma de se controlar a população é semelhante, visto que não é possível identificar que se está sendo controlado ou que está liberando dados pessoais ao governo.

Por conseguinte ao problema causados pelo governo autoritário ao indivíduo, há ainda a falta de privacidade a qual todos estão submetidos. Com a nova forma de se monitorar os habitantes, os dados emitidos por qualquer um pelos telefones ou computadores pessoais deixam de ser pessoais e se tornam, de certa forma, públicos, visto que apesar de alguns donos de aplicativos, como Mark Zuckerberg, dizerem que não há liberação de dados pessoais, já foi comprovado que o Facebook, uma de suas empresas, vendeu dados pessoais de seus usuários no ano de 2018. Isso demonstra, além de falta de ética por parte das empresas, um desespero dos governos por ter sempre mais poder.

Fica evidente, portanto, que a nova forma de se controlar a população usada tanto pelos governos quanto pelas empresas privadas é um problema que tem que ser discutido. É cabível que as Organizações Não Governamentais (ONG’S) voltadas para a área de proteção a integridade pessoal, alertem a população a respeito do controle ao qual estão submetidas ao usarem de forma exacerbada as redes sociais, por meio de campanhas ou até mesmo a internet, que desta vez poderá ser usada de forma positiva, para que, dessa forma, a população consiga ter alguma autonomia novamente. Além disso, é cabível que a Polícia Federal trabalhe para impedir a venda de dados pessoais para quem quer que seja e, com isso, o indivíduo consiga manter sua privacidade preservada.