Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 08/09/2019
Na obra “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, é descrito como os animais ascendem ao controle da Granja do Solar, além da maneira que a personagem Napoleão assume o poder e se torna um ditador. Não distante da ficção, hodiernamente, devido à Revolução Científica e ao aumento da difusão de dispositivos tecnológicos, é perceptível o intuito de governos e sistemas empresariais de vistoriar o que os usuários praticam na Internet e, assim, ter controle totalitário das massas sociais. Destarte, é essencial analisar as razões que fazem dessa problemática uma realidade no mundo contemporâneo.
Em primeiro plano, é notável que no contexto totalitário o sistema político estatal faz uso do nacionalismo ufanista. Sob esse viés, o governo almeja criar o sentimento patriótico, ao qual o cidadão não questiona, nem critica o Estado, ao passo que este utiliza de símbolos nacionais para exaltar a Pátria, a exemplo do regime Nazista alemão, que possuia a sociedade civil alienada sob o cunho ideológico. Dessa forma, tal prática associada ao emprego de aparelhos tecnológicos cria no indivíduo o sentimento conformista de que seu país age para o bem social e, por conseguinte, é passível de uma doutrinação totalitária.
Outrossim, um Estado totalitário caracteriza-se pela supressão das liberdades individuais. Segundo o filósofo contratualista inglês Thomas Hobbes, cada cidadão deveria ceder parte de sua liberdade ao governante, para que este saiba comandar fortemente o país, garantir a paz e a segurança, por meio de um contrato social. Entretanto, essa autoridade não deve agir de modo a ser odiada pelo povo, mas sim ser visto como uma figura que represente o desejo geral. Assim, ditadores utilizam da prática de “Dominação carismática”, conceito do sociólogo alemão Max Weber, como modo de garantir sua autoridade ao propagar em redes sociais afetividade à população.
Com o intuito de amenizar essa problemática, urge que o Sistema Educacional dos Estados contemporâneos implemente, na grade curricular básica, disciplinas como Ética e Tecnologia, as quais promoverão aumento da percepção crítica da realidade social e virtual às crianças e adolescentes. Ademais, seria viável que a ONU (Organização das Nações Unidas), baseada nos princípios existentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, interfira em países que estiverem violando os direitos intrínsecos aos indivíduos através de atos de censura, manipulação dos dados e comportamentos. Tais medidas serviriam como tentativa de manter o sistema democrático moderno e combater possíveis surgimentos de ditaduras como a representada no livro de Orwell.