Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 16/09/2019

Com a ascensão das tecnologias, é inevitável que autoridades públicas passem a fazer uso de suas diversas funções de espionagem e monitoração. Porém, é preciso pensar até que ponto o uso de inovações por parte de governos deixa de ser aceitável e se torna invasiva e totalitária.

Ao observar os movimentos do cidadão e estabelecer padrões e pareceres a cada um deles, como planejado pela China, para catalogar os indivíduos mais confiáveis, percebemos a quebra da política de privacidade e julgamento dos atos alheios. Tal comportamento pode ser exemplificado na série de ficção americana exibida pelo canal NBC, The Good Place, na qual um sistema julga as ações de todos os moradores do planeta com o objetivo de selecionar aqueles que devem ir para o bom lugar. Porém, como exibido no seriado, corrupções e falhas podem ocorrer e desta forma, pessoas inocentes são punidas injustamente.

Ademais, o totalitarismo atual caracteriza-se pela manipulação por desinformação e censura, tendo como exemplo a grande expansão das chamadas “fake news” durante o período eleitoral brasileiro e a recente intervenção ocorrida na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em que fiscais foram enviados a feira para retirar um livro de circulação sob pretexto de proteção à família, para então mascarar a tentativa de censura de seu conteúdo.

Em virtude disso, é importante que a população esteja atenta quanto a violação de seus direitos, neste caso, a privacidade e a liberdade de expressão. Em adição, é preciso um posicionamento efetivo do poder judiciário para a normalização das novas táticas de controle cibernético, de modo que não se sobreponha ao próprio povo, ferindo a constituição.