Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 24/09/2019

A obra “1984” de George Orwell retrata um futuro distópico, no qual um governo totalitário utiliza mecanismos sociais e alienadores para garantir a submissão e ordem da população em relação ao Estado e neutralizar qualquer ameaça ao sistema político e ideológico da sociedade. Não obstante, a atual era tecnológica viabiliza a manifestação de sistemas autoritários de formas mais discretas, visto que o surgimento da Internet e outros meios de comunicação facilitam a censura dos integrantes de movimentos opositores e, posteriormente, compromete a liberdade individual para garantir a estabilidade política.

A priori, a crescente integração de aparelhos eletrônicos e redes sociais no cotidiano é responsável pelo aumento da exposição de informações pessoais no meio virtual e o impacto das informações apresentadas nesses locais no internauta. Tal fato favorece a manipulação de dados para garantir a popularidade do governo vigente e abafar situações adversas, como exemplificado pela eleições de 2016 dos Estados Unidos, em que o Presidente Donald Trump contratou a empresa Cambridge Analytica para recolher informações do seu público eleitoral para marketing e garantir sua eleição pela distorção e ocultação de informações desfavoráveis a seu mandato, o que demonstra uma tentativa de conter o livre pensamento e a liberdade de expressão para garantir a soberania estatal.

A posteriori, essa estrutura autocrática compromete a pluralidade e, consequentemente, o amadurecimento de ideias, dado que o uso da tecnologia para suprimir opiniões que contradizem os ideais da organização estatal regente impede que o debate ocorra. Consequentemente, essa situação favorece o surgimento de crises sociais pelo distanciamento entre o governo e a população local, e posteriormente, a ascensão de movimentos extremistas, o que afeta a estabilidade interna.

Em suma, é crucial que organizações como a ONU adotem medidas para garantir que o Estado não utilize de meios virtuais para censurar ou manipular a sociedade nacional. Órgãos como UNESCO devem promover a criação de parâmetros mecanismos de fiscalização da liberdade do internauta de países mais autoritários de se manifestar, e aplicar multas ou intervenções diretas nos governos que recusarem-se a cumprir com as pautas definidas, e assim, garantir o livre pensamento.