Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 22/09/2019
Desde o início da então denominada Terceira Revolução Industrial, ou revolução tecno-científica-informacional, a tecnologia e seus adventos tornaram-se uma constante no ‘‘zeitgeist’’ contemporâneo. Com o atributo da internet, a disseminação de informações tornou-se surpreendentemente rápida e eficiente; no entanto, em contraste à toda essa evolução, a decorrente conveniência e acomodação trazida por esses processos tornou-nos mártires da ditadura das aparências e reféns da alienação digital.
‘‘Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si mesmo’’, as palavras do pensador e filósofo grego Pitágoras sintetizam a relação controle-influência que aprisiona internautas em redes de cunho social na internet, especialmente aqueles sedentos por popularidade e dispostos a forjá-la a qualquer custo. Em verdade, a recente decisão do Instagram (rede social de grande popularidade entre os contemporâneos do século XXI) de ocultar o número de curtidas em posts do site está diretamente relacionada à tentativa de mitigar essa então denominada ‘‘ditadura das aparências’’ ministrada pelos usuários das mídias sociais.
Ademais, analogamente ao retratado pelo livro norte-americano ‘‘Fahrenheit 451’’ que, convenientemente, trata de uma distopia, a humanidade tornou-se vítima de suas próprias decisões. No livro, onde a função dos bombeiros passa a ser queimar livros, e não apagar incêndios, (que, segundo o enredo foi uma alternativa escolhida pelos próprios civis em épocas passadas) a população tem como principal fonte de entretenimento grandes telões de TV que fornecem programação em tempo integral. No contexto contemporâneo, a metáfora dos telões se enquadra na alienação contínua administrada pelo descomunal interesse humano em renovar smartphones, criar e adquirir novos aplicativos e facilitar processos insignificantes, aspecto que funciona como um brainwash (lavagem cerebral) e uma celebração do ócio humano.
Desse modo, embora a modernidade tenha sido responsável pela concretização de processos mais eficientes, seguros e convenientes, a tecnologia também conta com uma face dominadora quando não usada com sabedoria. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC), com auxílio das instituições públicas de ensino, prover informações a respeito do uso construtivo dos atributos tecnológicos em sociedade mediante a inserção do estudo dos impactos da tecnologia nas relações orgânicas em disciplinas de estudos socioeducativos como geografia e sociologia para que, assim, não sejamos responsáveis por nosso próprio enclausuramento psicossocial.