Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 25/09/2019
Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de esclarecer os legados da misérias humanas. Analogamente, a falta de conhecimento do indivíduo sobre a própria liberdade e o poder da informação contido nas mãos de grandes corporações, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para mitigar as novas formas de totalitarismo na era tecnológica. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e sociais da questão, em prol do bem-estar social.
A priori, segundo o filosofo francês Sartre, o ser humano está condenado a liberdade. Entretanto, contradizendo o pensamento do filosofo, o indivíduo do século XXI se aproxima do exposto no filme Matrix, a obra retrata uma distopia onde a liberdade humana é apenas ilusão e a realidade é controlada através da tecnologia para benefícios próprios de seres poderosos. Nesse sentido, é possível analisar que igualmente a ficção, as pessoas estão inconscientes sobre o que ocorre em seu redor, o indivíduo não nota que a sua liberdade esta sendo comprometida a cada dia que passa. Em suma, a contemporaneidade abre portas para a autoridade a base de tecnologia.
A posteriori, é substancial discutir o poder que as novas mídias tem na sociedade atual. Nessa lógica, vale ressaltar que o site Facebook divulgou novos dados mostrando que alcançou a marca de 2,3 bilhões de usuários. Ademais, é importante destacar que o site está sendo investigado pelo governo norte-americano por fornecer dados de seus usuários a fabricantes de smarthphones. Assim sendo, fica claro que as marcas possuidoras de informações pessoais são aqueles que detém o maior poder no mundo moderno, pois, contendo dados dos indivíduos é possível manipula-los a seu favor. Em resumo, a informação torna-se a principal arma para a criação de um regime totalitário a base de tecnologia.
Em síntese, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço das novas formas de totalitarismo na era tecnológica no Brasil. Com o intuito de evitar que a liberdade não seja apenas uma ilusão entregue por quem controla o mundo e para que a informação não seja uma arma nas mãos de grandes corporações, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação, desenvolva nas escolas aulas e palestras, incentivando desde a juventude o raciocínio sobre a real liberdade, deve-se também mostrar ao indivíduo a força da informação e o que deve ser feito com ela. Dessa forma, a sociedade irá tornar-se mais justa e coesa e deixa-rá um legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.