Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 29/03/2020

No livro 1984, escrito por George Orwell no contexto pós Segunda Guerra, o personagem principal se vê cercado à dúvidas existenciais, já que desconhece o passado e é vigiado em quase todos os lugares pelo que o autor chama de teletelas. Atualmente, com o incomensurável avanço tecnológico, é assustador pensar na potencialização ideológica que tais instrumentos trazem. Nesse contexto, cabe analisar o potencial aumento da eficiência e do alcance que a internet pode proporcionar à propagação de ideais.

Se por um lado a popularização da internet proporciona maior disponibilidade de informações, por outro é capaz de homogeneizar pensamentos por meio de seus instrumentos. É nesse sentido que destacam-se os algorítimos de pesquisa de conteúdo, uma vez que são capazes de oferecer um denso conteúdo, praticamente inesgotável, seguindo as tendências antes pesquisadas pelo usuário. Essa ferramenta pode ser facilmente usada por governos totalitários, de forma análoga ao que acontecia na Alemanha de Hitler, com auto-falantes nas praças.

Outrossim, além de intensificar, as novas tecnologias são capazes de intensificar a manipulação. É inegável a popularização da televisão no século XXI e, por conseguinte, de serviços de streaming. Segundo dados do IBGE, em 2016, apenas 2,6% dos domicílios brasileiros não tinha TV. Assim, torna-se essencial que o indivíduo tenha censo crítico e capacidade de criar suas próprias reflexões a cerca de moral e ética, à medida é muito mais fácil alcançá-lo.

É inaceitável que, portanto, não hajam medidas que garantam a estabilidade da democracia frente o aumento dos dispositivos de manipulação. Cabe ao Ministério da Educação, amparado pelo Tribunal de Contas da União, realizar um plano educacional de longo prazo, que valorize as matérias que tem um fim em si mesmo, como história e filosofia.  Desse modo haverá maior estruturação da população para interpretar as informações proporcionadas pela internet e pela mídia.