Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 28/01/2020

Medo, anulação da individualidade, controle absoluto. Hannah Arendt, em seu clássico “Origens do Totalitarismo”, discorre sobre os principais meios pelos quais um regime totalitário se estabelece em uma sociedade. Nada tão distante, como pode-se pensar, dos tempos hodiernos, cujos fatores patentes convergem para um regime político e econômico autoritário, de dominação completa das grandes corporações sobre a vida política e social global. Dessa forma, aliado à tecnologia, ao consumo e a propaganda, o totalitarismo atual anula direitos, invalida a democracia, com repercussões coletivas inquestionavelmente perversas.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que ao contrário dos regimes totalitários clássicos, o sistema atual se caracteriza pela dominação da economia sobre a política, como formula o teórico Sheldon Wolin, no que chama de “totalitarismo invertido”. A partir desse, surgem diferentes formas de maldade em que o anonimato sem rosto do estado corporativo mantém fidelidade aos mecanismos democráticos de fachada, promovendo a tomada de poder. Assim, torna-se o cidadão impotente, explora-se os menos favorecidos, reduz-se programas sociais, direitos trabalhistas, fomenta-se uma educação de massa. Logo, o resultado é uma cidadania precária ou uma sobra dela.

Por outro lado, para sustentação dessa cadeia, o modus operandi do sistema se utiliza da propaganda enganosa e do uso constante da tecnologia para levar a sociedade ao consumo, sob o risco do estigma. Ademais, o artifício do medo de não fixar-se a uma estrutura social, o “medo líquido” de Bauman, faz com que o totalitarismo atual promova um estado contínuo de preocupação. Desse modo, os cidadãos tendem involuntariamente a ceder em busca de proteção, como por exemplo, nas manobras recentes do Estado Chinês em coletar dados privados, ou até mesmo na pulverização dos direitos trabalhistas e sociais no Brasil ante a desculpa de uma eventual falência do Estado. Indubitavelmente, é um império de terror.

É fundamental, pois, para a resolução dessa problemática, que haja a promoção de grupos de discussão e pesquisa, por meio das universidades, realizados em associações de moradores, igrejas e escolas, no qual se debata a realidade iníqua do sistema, de forma a elucidar maneiras conscientes de consumo e sobretudo, de participação política da sociedade, fomentando cidadania. Bem como, a instituição de conteúdos transdisciplinares, pelo Ministério da Educação, a ser implementado no currículo escolar que aborde uma pedagogia transformadora, ciente da realidade, formando assim uma geração protagonista de sua história, que quebre, assim, essa cadeia de alienação, medo e terror, tão presente como nos regimes de outrora.