Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 16/02/2020

Após a eclosão da Revolução Técnico-Científico-Informacional, o homem se tornou extremamente dependente das tecnologias. O famoso inventor, Steve Jobs, uma vez disse: “A tecnologia move o mundo”. De fato, os ambientes quase sempre cercados por computadores e smartphones são a realidade hodiernamente, sendo inimaginável um mundo sem eles. O que por um lado pode ser negativo, tendo em vista que isso facilita a vigília de seus usuários, seja por corporações ou pelo próprio governo. Nesse sentido, começa-se a discutir como a presença da tecnologia e a maneira imprudente como as pessoas a utilizam corroboram para o surgimento de novas formas de totalitarismos na era moderna, de forma a comprometer as liberdades individuais em detrimento da dominação de um grupo ou ideia e da manipulação de indivíduos. Em primeiro plano, convém citar a obra 1984, de George Orwell. Nela, o autor mostra como O Partido, governo ditatorial de um continente americano distópico , se utilizava das “teletelas”, espécies de televisores com microfones que a população era obrigada a possuir dentro de casa e jamais podiam desligá-los. O motivo: através deste aparelho, o Estado controlava a ação e fala das pessoas ,subtraindo totalmente sua privacidade. Fora da ficção, situações análogas já foram registradas. Por exemplo, em 2013, um ex-agente da CIA denunciou um caso de espionagem dos cidadãos americanos pela agência de inteligência nacional, a NSA. Tendo em vista as críticas ao seu rival ideológico, Coreia do Norte, no que tange ao totalitarismo e privação da liberdade da sua população , torna-se irônico um país como os Estados Unidos que tem como princípio-mor a liberdade , praticar tais atos de espionagem. À vista de tal preceito, comprova-se que, a despeito do espectro político-econômico, a ameaça da instalação de governo totalitários facilitada pela tecnologia é realidade. Além disso, é interessante notar como a enorme auto exposição que os usuários fazem nas redes agrava a problemática. O que se nota no uso da internet pelas pessoas hoje em dia é a completa exposição de informações pessoais e dados sem antes refletir a quem estão entregando aquelas informações e o que essas pessoas podem fazer com elas. Prova disso é o caso da última corrida presidencial dos Estados Unidos ,em que foi comprovado que uma empresa de algoritmos se utilizava das informações que os usuários forneciam ao Facebook ,através do histórico na plataforma, para direcionar propagandas pró-Trump aos perfis mais afeiçoados às declarações do presidente. Isso comprova à inconsequência no uso das redes e nos torna suscetíveis à manipulações de empresas. Infere-se, pois, que a comunidade internacional deve se reunir para discutir formas de prevenir a ascensão de totalitarismos modernos. Para isso, a ONU deve convocar as nações para promover à população mundial um acesso seguro à internet por meio da obrigatoriedade da criação de órgãos nacionais especializados na fiscalização de empresas e na utilização de dados dos seus usuários. Além disso, é dever desses órgãos promover propagandas nas redes sociais alertando à população sobre os perigos de compartilhar informações online. Somente assim, pode-se garantir uma rede segura e livrar-nos dos perigos do totalitarismo.