Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 14/02/2020

O documentário, “Privacidade Hackeada”, mostra como a empresa de marketing digital, Cambridge Analytica, ajudou a eleger Donald Trump, como presidente dos Estados Unidos. A partir de uma análise de personalidade, com base em dados do Facebook, parte da população teve suas emoções e crenças direcionadas com fins políticos. Esse episódio demonstra o risco que correm os sistemas democráticos, em meio à manipulação dos usuários da internet. Diante disso, tornam-se possíveis novas formas totalitárias de governo, adaptadas à era tecnológica.

Num primeira análise, os ataques aos estudos históricos devem ser ressaltados. Existe um índice alto de disseminação de fake news, dentre as quais se destacam aquelas que negam experiências históricas de violência, já datadas e documentadas. Isso significa que momentos como a Ditadura Militar no Brasil, o Nazismo, entre outros, são reavaliados, ora como formas brandas de governar, ora como episódios aceitáveis. Assim, interesses políticos autoritários têm mais possibilidades de se instaurar, prejudicando as bases principais das democracias mundiais, uma vez que toleram ideais totalitários, mesmo no século XXI.

Além disso, a inação estatal é fundamental na questão. Uma das funções do aparelho governamental, segundo Aristóteles, é operar para estabelecer a harmonia entre os cidadãos. Embora os governos tenham se modificado ao longo do tempo, esse princípio básico ainda é uma dificuldade em relação à proteção da população. Em 2018, por exemplo, houve atraso do Sistema de Justiça Eleitoral brasileiro em investigar disparos de mensagens com informações falsas por Whatsapp. As mesmas visavam a prejudicar a moral de um dos candidatos à presidência da República, em prol do representante da extrema direita no país, levando à vitória desse último. Desde então, grupos minoritários são tratados com violência física e moral pelo atual governo, como é o caso de tribos indígenas na Amazônia, transformando o autoritarismo num mecanismo legítimo do sistema público.

Portanto, caso não haja nenhuma ação conjunta da sociedade, indivíduos de viés totalitário podem ganhar espaço na democracia, para buscar adeptos aos seus objetivos. Por isso, é importante que as universidades e escolas criem um projeto de divulgação científica em massa, apoiados pelas empresas de redes sociais, a fim esclarecer os usuários em relação momentos anteriores de violência. Ademais, o Poder Judiciário e o Legislativo devem responsabilizar os políticos e demais cidadãos, os quais disseminem ideias pró intolerância no ambiente virtual ou fora dele, criando leis que cacem seus mandatos, bem como impeçam de atuar na máquina pública. Dessa forma, será possível combater as recentes e crescentes “ondas” autoritárias.