Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 04/02/2020
No livro 1984, de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do governo. Fora da ficção, é fato que a realidade descrita por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI, onde a manipulação do conteúdo e o controle de dados convergem para novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que a manipulação do comportamento do usuário no meio da internet gera problemas ligados a alienação. No romance de Orwell, isso pode ser percebido com as ações realizadas pelo Ministério da Verdade, que filtra todas as informações antes delas chegarem aos leitores. Desse modo, na atualidade, como tudo que é consumido pelos indivíduos passa por uma pré seleção, realizada por algoritmos e máquinas, ele fica sujeito ao que lhe é concedido, que de acordo com Zygmunt Bauman, seria um estado de liberdade ilusória. A partir disso, percebe-se que o usuário não tem um bom desenvolvimento de seu senso crítico, ficando vulnerável à alienação. Logo, entende-se que as máquinas e acessórios, criadas pelo homem, podem passar de uma ferramenta de auxílio para uma forma de controle de acesso às informações.
Em segundo lugar, é importante ressaltar que a influência de certos governos e ideologias também é capaz de representar uma nova forma de totalitarismo. Isso ocorre porque a investigação indevida dos cidadãos e a censura podem se tornar presentes em certas regiões por consequência de governos muito rígidos, tendo como exemplo a China e seu projeto de monitoramento do comportamento de seus habitantes no meio virtual, com direito até a pontuação em um ranking de confiança.
É preciso, portanto, que medidas sejam tomadas. No que diz respeito à população brasileira, é de responsabilidade do governo a conscientização da mesma, por meio de propagandas e informes - promovidos pelo Ministério de Educação e Cultura - nas redes sociais e em outros veículos de comunicação, detalhando o funcionamento dos algoritmos e advertindo os cidadãos quanto ao perigo da alienação, além de instruí-los a fazer uso de diversas fontes (sempre frisando a presença de alterações das mais diversas maneiras. Além disso, também é de responsabilidade do governo o respeito aos direitos dos cidadãos, não interferindo no que os mesmos consomem. Somente com a ação conjunta de todos os setores sociais será possível evitar um Ministério da Verdade e novas formas de totalitarismo na era tecnológica atual.