Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 06/02/2020

RG ao cubo

Nos quadrinhos da Marvel, pudemos acompanhar a saga que foi denominada “Guerra Civil”. Os heróis, modelos da ética e das mais variadas virtudes, não viram com bons olhos a implementação de um sistema de cadastramento, pois arruinar seus disfarces poderia pôr em cheque seus entes queridos, isso foi suficiente para trazer o caos entre os que apoiavam e os contrários dentro das ligas. Na realidade, as ligas representam a sociedade e o caos a possível queda do sistema econômico vigente, pois não somos heróis, mas nosso disfarce também guarda aquilo que temos de mais íntimo e já existe um registro geral. A revolução informacional e produtiva está batendo na nossa porta, como, e não se, receberemos bem isso é a questão.

Mesmo que não explícito, um sistema de avaliação e mapeamento individual foi criado com as redes sociais. Empresas procuram seus candidatos à vaga na internet de forma a pôr na balança, junto com as experiências prévias, o perfil social do indivíduo, usando frases fora de contexto, fotos das férias e relacionamentos para formular superficialmente sua ficha. No ritmo exponencial de crescimento tecnológico do mundo e histórico de criação de entidades pós-crise, a exemplo das grades guerras e dos problemas ambientais, falta pouco para uma sistematização em nome da liberdade, que fará as pessoas sentirem-se encarceradas e observadas constantemente, chegar.

A indústria que gerou milhares de empregos nas primeiras revoluções agora caminha na contra mão, maquinando tudo em prol do principal agente econômico, o lucro. A impensada substituição da mão de obra braçal não leva em conta que é isso que movimenta o dinheiro. Sem emprego, quem comprará a abundante produção que os humanos não foram capazes de atingir é um mistério.

Começar imediatamente a prevenção a esse desenvolvimento é o primeiro passo, pois as medidas a serem tomadas dependem do contexto. Adentramos o caos despreparados? Distribuição de renda mínima aos cidadãos e forte aparelhamento do estado sobre a propriedade privada será necessário. Fundaram-se instituições especializadas para antever a situação? Regulamentação dos meios de produção visando atrasar o avanço de maquinário podem ser eficientes, mas o preço pago pela humanidade será equivalente a pisar no freio em meio a uma movimentada rodovia e torcer que todos os veículos acompanhem a iniciativa.