Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 10/02/2020
Assim como a distopia de George Orwell, no livro 1984, retrata um modelo de um mundo totalitário em que todos são constantemente vigiados pelo “Grande Irmão”, um tirano que sequer sabemos quem é. Nos dias atuais, é discutível a possível manifestação de novas formas desse modelo autoritário , que tem na tecnologia um meio de consolidação, pois por meio dela será possível a doutrinação de cidadãos e o aumento da “segurança”, pelo menos no ponto de vista daqueles que coordenam o estado autoritário vigente.
Em primeiro lugar, a doutrinação de cidadãos pelo uso da tecnologia pode ser feito com o uso de ferramentas que monitoram nosso dia a dia e as utilizam para nos direcionar aos nossos interesses ou necessidades. Por exemplo, caso alguém com problemas financeiros pesquise na internet formas de ganhar dinheiro, o próprio navegador pode direciona-la a site de vendas ou indicar locais onde a compra de créditos seja de mais fácil acesso. Esse “rumo” que a tecnologia deu à pessoa, apesar de facilitar sua busca, a impediu que buscasse um alternativa usando das próprias ideias e pensamentos, e dando á internet, ainda que veladamente, o papel de fazer as decisões pelo indivíduo.
Ademais, num mundo totalitário e sustentado pela tecnologia, possíveis formas de monitoramento da população seriam capaz de supervisionar atitudes da população, tornando-a facilmente manipulável. Dessa forma, seria possível conter formas de pensamento que ameacem a integridade do estado. Uma forma de fazer isso é a recomendação de vídeos e sites a favor do estado para pessoas com atitudes e pensamentos considerados “duvidosos”. Outro exemplo, mais radical ainda, é a garantia de status por meio da contagem de pontos para quem realizar atos aprazíveis ao governo. Desse modo, o estado dita à população seus dogmas sem parecer agressivo, pois os pontos ganhos são algo abstrato. Se no começo podem parecer não ter valor, passam a indicar importância e gerar competição entre os indivíduos. Por outro lado, esse controle pode ser benéfico, por incrementar a segurança em alguns locais. Seríamos capazes de prever, por exemplo, ataques de grupos extremistas e facilitar a investigações de crimes. No entanto, a supervisão é violação da privacidade do indivíduo, direito garantido pela própria constituição.
Para que novas formas de totalitarismo possam ser evitadas é preciso que a população esteja ciente dos riscos de uma futura ditadura semelhante àquela da distopia de Orwell, porém, sustentada pela tecnologia. Assim, a organização de eventos e campanhas que preguem a liberdade e o direito de privacidade de cada cidadão, tornariam a população mais crítica e contrária a essas novas ideias, que mesmo parecendo benéficas, poderão se tornar tão ameaçadoras à democracia.