Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 12/02/2020

O advento da internet trouxe consigo a ampla integração entre os habitantes do planeta: em uma rede invisível, a manifestação individual tornou-se um meio de expor os diferentes princípios. Contudo, no hodierno, padrões sociais são constantemente exigidos dos usuários, provocando a segregação daqueles que não os seguem. Destarte, o espaço virtual coletivo, destinado ao lazer pessoal, encontra-se análogo a sistemas totalitários de governo, no qual o Estado é representado por meros perfis estandardizados.

Em primeira análise, a série ficcional Black Mirror, no episódio “Queda Livre”, apresenta uma sociedade baseada na pontuação de cada indivíduo em suas redes sociais; logo, possuir mais estrelas e curtidas, proporciona privilégios diferenciados. No entanto, tal fantasia está presente no cotidiano geral, visto que o “status” gerado pela visibilidade em aplicativos, a exemplo o Instagram, cria uma elite tecnológica, com modos de vida a serem seguidos e admirados.

Ademais, a teoria do sociólogo Pierre Bourdieu acerca do “Habitus” - conjunto de disposições sociais, as quais moldam as percepções do homem e são, gradativamente, perpetuadas - faz-se imprescindível nos dias atuais. Essa corrobora na afirmação do corpo civil, programado para seguir paradigmas cibernéticos, estabelecidos à partir de realidades utópicas perante àqueles esquecidos nos bairros afastados e que vivem de forma indigna de ser o centro dos holofotes da tecnologia.

Portanto, é necessário a intervenção do Estado democrático, a fim de controlar devido problema. Diante disso, o Superministério da Cidadania deve, em conjunto com os sites mais utilizados na rede, promover campanhas, direcionadas ao público virtual, com o intuito de disseminar a heterogeneidade existente entre esse grupo. Por conseguinte, a internet poderá ser estabelecida novamente como um ambiente inclusivo e popular.